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Ciência

Tomar chá pode estar ligado a ossos mais fortes em mulheres mais velhas, aponta estudo

Pesquisa acompanhou quase 10 mil mulheres na pós-menopausa durante dez anos e encontrou uma associação positiva entre o consumo de chá e a densidade óssea. O excesso de café, porém, apresentou resultado diferente.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Tomar chá regularmente pode estar associado a uma densidade mineral óssea ligeiramente maior em mulheres mais velhas. É o que indica um estudo que acompanhou 9.704 mulheres com mais de 65 anos e na pós-menopausa durante uma década.

Os resultados também trouxeram um alerta sobre o café. Quantidades leves ou moderadas não apresentaram uma relação relevante com a saúde dos ossos. No entanto, consumir mais de cinco xícaras por dia foi associado a uma menor densidade óssea.

Isso não significa que o chá fortaleça diretamente os ossos ou que o café provoque sua perda. O estudo encontrou associações, mas não conseguiu estabelecer uma relação de causa e efeito.

Chá foi associado a uma densidade óssea maior

Chá
© Mareefe – Pexels

Publicado na revista científica Nutrients, o trabalho analisou o consumo diário de chá e café das participantes ao longo de dez anos.

O grupo merece atenção especial porque a perda de massa óssea se torna uma preocupação importante após a menopausa, principalmente devido ao aumento do risco de osteoporose e fraturas.

Os pesquisadores encontraram uma associação favorável entre o consumo habitual de chá e a densidade mineral óssea.

Segundo Melissa Prest, nutricionista e porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics, os resultados sugerem que beber chá pode fazer parte de um estilo de vida compatível com uma boa saúde óssea.

A diferença observada, porém, foi pequena.

Daniel Wiznia, cirurgião ortopedista e professor associado da Yale School of Medicine, explica que encontrar uma diferença estatística não significa necessariamente que ela produza um benefício clínico significativo.

Portanto, quem já gosta de chá pode continuar tomando. Mas não existem evidências suficientes para recomendar que uma pessoa comece a consumir a bebida exclusivamente para fortalecer os ossos.

E o café? O problema apareceu apenas em grandes quantidades

Café diário pode retardar o envelhecimento celular, aponta novo estudo
© Pexels

Os resultados sobre o café foram mais complexos.

O consumo leve ou moderado não apresentou uma associação importante com menor densidade mineral óssea. A diferença apareceu principalmente entre mulheres que consumiam mais de cinco xícaras diariamente.

Nesse grupo, os pesquisadores encontraram valores menores de densidade óssea.

Ainda assim, especialistas pedem cautela.

O estudo não demonstra que beber muito café seja diretamente responsável pela redução. Outros fatores relacionados ao estilo de vida das participantes podem ter contribuído para o resultado.

Para Prest, o achado deve servir principalmente como ponto de partida para novas pesquisas.

Wiznia também considera que os dados não justificam mudanças drásticas de comportamento. Para a maioria das pessoas que consome café moderadamente, o estudo não encontrou motivos para abandonar a bebida.

Chá não substitui cálcio, vitamina D e exercícios

Mesmo que novos estudos confirmem algum benefício do chá, ele provavelmente será apenas uma pequena peça de uma estratégia muito maior para preservar os ossos.

Entre as medidas mais importantes estão consumir quantidades adequadas de cálcio, vitamina D e proteínas, além de praticar exercícios físicos regularmente.

Alimentos como leite, iogurte, bebidas vegetais fortificadas e tofu preparado com cálcio podem contribuir para atingir as necessidades desse mineral.

Sardinha, ovos e alguns tipos de peixe fornecem vitamina D, embora algumas pessoas possam precisar de suplementação após avaliação profissional.

A proteína também é importante. Leguminosas, lentilha, soja, laticínios, castanhas e sementes são algumas das opções que podem fazer parte da alimentação.

Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também está entre as recomendações para preservar a saúde óssea ao longo da vida.

Exercícios são fundamentais para manter os ossos fortes

A alimentação não trabalha sozinha.

Os ossos respondem à carga mecânica produzida durante determinados exercícios. Por isso, atividades com sustentação do próprio peso e treinamento de resistência são especialmente importantes.

Manter a musculatura também ajuda a proteger os ossos de maneira indireta.

Uma boa massa muscular contribui para equilíbrio, estabilidade e mobilidade, reduzindo o risco de quedas. Isso se torna particularmente importante em pessoas mais velhas, nas quais uma queda pode resultar em fraturas graves.

Assim, alimentação adequada e atividade física continuam sendo pilares muito mais importantes para a saúde óssea do que consumir uma bebida específica.

O estudo não prova que chá fortalece os ossos

Densidade óssea diminui com a idade, mas alguns hábitos ajudam a preservar os ossos
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Existe outra limitação importante.

A pesquisa foi observacional. Isso significa que os cientistas acompanharam os hábitos das participantes e procuraram relações entre determinadas características.

Esse tipo de estudo consegue identificar associações, mas não provar causalidade.

Pessoas que bebem chá regularmente, por exemplo, podem apresentar outros hábitos que favoreçam a saúde óssea.

Idade, peso corporal, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, quantidade de cálcio e proteínas na dieta, medicamentos e doenças preexistentes também podem influenciar os resultados.

Os pesquisadores fizeram ajustes estatísticos para vários desses fatores, mas não é possível eliminar completamente todas as diferenças.

Além disso, todas as participantes eram mulheres com mais de 65 anos e na pós-menopausa. Portanto, ainda não sabemos se a mesma associação aparece em homens ou pessoas mais jovens.

Por enquanto, o resultado é interessante, mas não muda as recomendações atuais: para envelhecer com ossos mais fortes, alimentação equilibrada, exercícios, cálcio, vitamina D e acompanhamento médico continuam tendo muito mais peso do que escolher entre uma xícara de chá ou café.

 

[ Fonte: Infobae ]

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