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O que Peter Thiel, J.D. Vance e uma rede de bilionários buscavam no Brasil

Uma rede discreta que reúne bilionários, investidores e figuras influentes dos Estados Unidos tentou estabelecer presença no Brasil com planos envolvendo tecnologia, negócios e articulação institucional.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Por trás de algumas das maiores fortunas do Vale do Silício existe uma rede pouco conhecida fora dos círculos políticos e empresariais dos Estados Unidos. Cofundada por J.D. Vance e conectada a nomes como Peter Thiel, a Rockbridge Network passou a olhar para além das fronteiras americanas. O Brasil entrou nesse mapa, mas documentos, contatos e acusações surgidos durante o processo transformaram uma iniciativa discreta em assunto da campanha eleitoral.

Uma rede criada longe dos holofotes

A história da Rockbridge Network começou em 2019, durante um encontro fechado realizado na região rural de Ohio, nos Estados Unidos. J.D. Vance, hoje vice-presidente americano, e o empresário conservador Chris Buskirk participaram da criação da organização, enquanto Peter Thiel teve papel importante na aproximação entre os dois.

Thiel é uma das figuras mais conhecidas do universo tecnológico americano. Cofundador do PayPal e da Palantir e um dos primeiros grandes investidores do Facebook, ele também manteve uma relação política e profissional próxima de Vance. Em 2022, desembolsou US$ 15 milhões para apoiar a campanha que levou Vance ao Senado americano.

A Rockbridge cresceu como um círculo reservado de empresários, investidores e doadores conservadores. Documentos revelados pela imprensa americana mostraram uma organização interessada em construir sua própria infraestrutura de influência, incluindo pesquisas, mídia, mobilização eleitoral e organizações políticas.

Participar desse círculo também exige recursos consideráveis. Um encontro realizado em Nashville em março de 2026 reuniu cerca de 250 integrantes da comunidade de doadores, segundo a CBS News, com participação mínima de US$ 100 mil por pessoa.

Mas os interesses da rede começaram a ultrapassar os Estados Unidos.

O Brasil entrou nos planos da Rockbridge

O que Peter Thiel, J.D. Vance e uma rede de bilionários buscavam no Brasil
© Imagem gerada pela IA – Gizmodo BR

A expansão internacional tem uma dimensão econômica importante. Inteligência artificial, semicondutores, energia, minerais críticos, defesa e infraestrutura tecnológica estão entre os setores de interesse de empresários que circulam pela rede. Nesse cenário, países capazes de fornecer recursos ou ocupar posições estratégicas nessas cadeias ganharam relevância.

A Coreia do Sul tornou-se uma das primeiras frentes internacionais. Taiwan, Índia e Brasil também apareceram entre os países considerados para futuras aproximações.

No caso brasileiro, representantes da Rockbridge mantiveram contatos com empresários e políticos. A Folha informou que nomes como Joesley Batista e André Esteves tiveram contato com representantes da organização. Entre políticos, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também conheceram integrantes da rede. Os citados não comentaram à publicação sobre esses contatos.

Documentos apresentados no Brasil descreviam uma estrutura ambiciosa. Havia duas categorias de participação, com contribuições anuais de US$ 500 mil e US$ 1 milhão, além de uma proposta para criar um conselho relacionado a tecnologia e investimentos. Um dos materiais estimava potencial superior a US$ 100 bilhões em impacto econômico durante uma década e mais de 500 mil empregos.

A proposta, porém, não avançou como previsto.

A eleição colocou a iniciativa sob outra perspectiva

O que Peter Thiel, J.D. Vance e uma rede de bilionários buscavam no Brasil
© YouTube

A Rockbridge ganhou maior exposição no Brasil depois que o candidato presidencial Renan Santos acusou a organização de apoiar a campanha de Flávio Bolsonaro. A alegação provocou repercussão porque a legislação eleitoral brasileira proíbe financiamento estrangeiro de campanhas. A existência de apoio financeiro, porém, não está estabelecida: os envolvidos negaram as acusações, e o tema motivou pedidos de investigação.

Outro elemento alimentou as dúvidas. A Rockbridge Brazil LLC foi registrada em Wyoming, nos Estados Unidos, em maio de 2026. O nome de Chris Applegate, ligado profissionalmente a Vance e à captação de recursos republicana, aparece como responsável pela constituição da empresa, embora essa função não signifique que ele seja proprietário ou administrador.

A Rockbridge apresentou uma versão diferente sobre o objetivo da iniciativa. Segundo declaração da organização reproduzida pela Folha, uma entidade jurídica chegou a ser criada diante do interesse de brasileiros, mas o projeto posteriormente foi abandonado. A organização afirmou que a empresa não recebeu recursos nem entrou em operação. Também negou que o projeto previsse atuação política no país.

Pessoas citadas em documentos associados ao projeto igualmente disseram que a estrutura não chegou a funcionar. Talles Gomes, por exemplo, afirmou que o conselho de tecnologia permaneceu apenas como proposta. Pedro Sang disse que a iniciativa estava suspensa desde maio e que seu interesse estava relacionado à possibilidade de atrair investimentos tecnológicos ao Brasil.

Assim, o desembarque da Rockbridge no Brasil permanece cercado por duas narrativas distintas: documentos e contatos mostram uma tentativa concreta de estabelecer uma estrutura no país, enquanto a própria organização sustenta que o projeto não prosperou e rejeita as acusações de participação eleitoral.

Em plena corrida presidencial, essa diferença entre o que foi planejado, o que efetivamente aconteceu e o que ainda precisa ser esclarecido colocou uma rede antes praticamente desconhecida do público brasileiro no centro de uma controvérsia nacional.

[Fonte: Perfil]

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