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O segredo por trás da fumaça do conclave: como o Vaticano usa química e pirotecnia para anunciar o novo papa

Quando a fumaça branca sobe na Praça São Pedro, o mundo inteiro entende: temos um novo papa. Mas poucos sabem que por trás desse momento simbólico existe um elaborado sistema com lactose, naftalina e até fogos de artifício. Descubra como a tradição se modernizou com ciência e tecnologia.
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Tempo de leitura: 2 minutos

 Você já deve ter visto as imagens icônicas: da chaminé da Capela Sistina sobe uma fumaça — branca ou preta — que carrega uma mensagem decisiva ao mundo. Essa tradição, que anuncia o resultado das votações papais, ganhou um upgrade tecnológico nas últimas décadas. De um método rudimentar com palha e papel queimado, o Vaticano passou a usar ciência de ponta e pirotecnia para garantir que a mensagem chegue clara aos fiéis.

Como tudo começou: da palha úmida aos cartuchos eletrônicos

Até 2005, o sistema utilizado no conclave era bem mais artesanal. A fumaça era gerada com a queima de cédulas de votação misturadas a palha úmida, mas o resultado nem sempre era confiável: a fumaça preta muitas vezes parecia cinza, confundindo os fiéis e a imprensa.

Foi então que o Vaticano decidiu inovar. A partir do conclave que elegeu Bento XVI, entrou em cena um sistema eletrônico moderno, com cartuchos pirotécnicos desenvolvidos especialmente para criar fumaças intensas e com cores bem definidas.

Lactose e naftalina: os “ingredientes” secretos

A fumaça branca, que simboliza a eleição de um novo papa, é feita com lactose, o açúcar presente no leite. Quando aquecida, ela passa por um processo de decomposição térmica, gerando partículas finas que refletem a luz de forma difusa, resultando na cor branca característica.

Já a fumaça preta, sinal de que ainda não houve decisão, é produzida com naftalina, substância sólida conhecida por ser usada em repelentes de traças. Ao queimar, ela libera partículas escuras que absorvem a luz e formam uma fumaça densa e preta.

Física, termodinâmica e efeito visual

Além dos compostos químicos, o sistema foi cuidadosamente projetado com base em princípios da física, como termodinâmica e mecânica dos fluidos.

A diferença de densidade entre o ar quente da combustão e o ar externo impulsiona a fumaça para cima, enquanto o tamanho das partículas é calibrado para garantir que o efeito visual dure tempo suficiente para ser visto da Praça São Pedro — e pelas câmeras do mundo inteiro.

Dois fornos e seis granadas de fumaça

Segundo Massimiliano De Sanctis, especialista em pirotecnia e proprietário da FD Group Fireworks (empresa responsável pelos equipamentos usados em 2005 e 2013), o sistema atual conta com dois fogões conectados à chaminé da Capela Sistina.

Um deles é o modelo tradicional, usado para queimar as cédulas em um recipiente de ferro fundido. O outro é eletrônico, e recebe cartuchos com seis cápsulas interligadas, acionadas por um botão.

O próprio colégio de cardeais ativa o sistema, e cada emissão de fumaça dura cerca de sete minutos. Isso garante que a mensagem – se o novo papa foi escolhido ou não – seja perfeitamente visível a todos os presentes e espectadores ao redor do mundo.

 

Fonte: G1.Globo

 

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