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ONU confirma fome em Gaza pela primeira vez e alerta para possível expansão

O órgão internacional que monitora a segurança alimentar declarou nesta sexta-feira (22) que a situação na cidade de Gaza atingiu nível 5, o mais grave da escala, e advertiu que a crise pode se espalhar para Deir al Balah e Khan Yunis até o final de setembro.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Fase 5: o nível mais crítico de insegurança alimentar

A Classificação Integrada de Segurança Alimentar (CIF), apoiada pela ONU, elevou oficialmente a crise em Gaza para fase 5, que representa fome generalizada. Essa é a primeira vez que o organismo confirma a ocorrência de fome no Oriente Médio.

O relatório aponta que a escassez extrema de alimentos já afeta milhares de famílias na cidade de Gaza e alerta que as “condições catastróficas” podem se estender para outras regiões próximas nas próximas semanas.

Bloqueios, combates e colapso da produção local

Guerra Russia
© Jeff Kingma – Unsplash

A ONU e diversas organizações humanitárias afirmam que a situação é resultado da combinação de restrições à entrada de ajuda humanitária impostas por Israel e da ofensiva militar contínua na Faixa de Gaza.

Segundo a CIF, os fatores que agravaram a crise incluem:

  • Bloqueio prolongado à entrada de alimentos e suprimentos;

  • Combates intensos que dificultam a distribuição de ajuda;

  • Colapso da produção local de alimentos;

  • Deslocamento em massa da população.

A guerra entre Israel e o grupo Hamas já dura 22 meses, desde o ataque de 7 de outubro de 2023, e a escalada do conflito aumenta ainda mais o risco de uma crise alimentar sem precedentes na região.

Negação por parte de Israel

O governo israelense nega que exista fome na Faixa de Gaza. O primeiro-ministro afirmou que os relatos sobre desnutrição extrema seriam “mentiras promovidas pelo Hamas”.

Após a divulgação de imagens de crianças gravemente desnutridas e de mortes relacionadas à fome, Israel anunciou novas medidas para permitir a entrada de mais ajuda humanitária. Porém, de acordo com a ONU e autoridades palestinas, o volume liberado está muito abaixo do necessário.

A agência militar israelense responsável pela coordenação da entrada de suprimentos, conhecida como COGAT, classificou o relatório da CIF como “falso e tendencioso”, alegando que tem tomado medidas significativas para ampliar o envio de alimentos e medicamentos.

Pressão internacional aumenta

Após a publicação do relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a fome em Gaza representa “um fracasso da humanidade como um todo”. A constatação do nível máximo de insegurança alimentar deve intensificar a pressão internacional sobre Israel e reacender os debates sobre a responsabilidade dos países envolvidos no conflito.


A ONU confirmou, pela primeira vez, a ocorrência de fome na cidade de Gaza e alertou para uma possível expansão da crise alimentar em outras regiões. A guerra, os bloqueios e a escassez de ajuda colocam milhares de vidas em risco e aumentam a pressão global por soluções imediatas.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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