A OpenAI está avaliando um passo ambicioso: criar sua própria rede social. A ideia, ainda em estágio inicial, teria um objetivo claro desde o começo — priorizar pessoas reais e frear a proliferação de bots, um problema que se agravou nos últimos anos nas grandes plataformas.
Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, o projeto vem sendo tocado por uma equipe de menos de dez pessoas e busca aproveitar o impulso de produtos virais como ChatGPT e Sora. Caso avance, a nova rede entraria diretamente em um mercado dominado por X, Meta e TikTok.
Uma rede pensada para humanos, não para bots

O diferencial mais comentado é a possível adoção de verificação biométrica. Entre as opções em estudo estariam o Face ID, da Apple, e o World Orb, um scanner ocular que usa a íris para criar uma identidade digital única. O dispositivo faz parte do ecossistema da Tools for Humanity, empresa fundada por Sam Altman — que também preside a organização.
Na prática, isso permitiria garantir que cada conta esteja vinculada a uma pessoa física. Hoje, redes como Facebook e LinkedIn usam combinações de e-mail, telefone e padrões de comportamento para tentar validar identidades, mas nenhuma aplica biometria em larga escala.
A proposta, porém, levanta alertas de privacidade. Especialistas lembram que dados como escaneamentos de íris não podem ser alterados e, em caso de vazamento, o impacto seria permanente para os usuários.
Ainda não está claro como a rede se integraria aos produtos já existentes da OpenAI, mas há indícios de que recursos de IA para criação de imagens e vídeos fariam parte da experiência — algo que plataformas como Instagram já começaram a oferecer nativamente.
Um problema antigo que só piorou
A tentativa de atacar os bots não é gratuita. Durante anos, redes sociais convivem com contas automatizadas usadas para inflar criptomoedas, espalhar discurso de ódio ou manipular debates públicos. O caso mais emblemático foi o antigo Twitter, comprado por Elon Musk e rebatizado como X, após uma demissão em massa que incluiu equipes de confiança e segurança.
Em 2025, a empresa chegou a eliminar cerca de 1,7 milhão de contas em uma tentativa de reduzir spam, mas o problema segue longe de resolvido.
Altman, usuário frequente do X desde 2008, já manifestou publicamente frustração com a situação. Em uma postagem recente, disse que a experiência em redes dominadas por IA “parece falsa”, ecoando a chamada “teoria da internet morta”, segundo a qual grande parte da atividade online já não é humana.
Crescimento explosivo, concorrência dura

A OpenAI tem histórico de adoção acelerada. O ChatGPT alcançou 100 milhões de usuários em apenas dois meses e hoje ultrapassa 800 milhões. Já o Sora superou um milhão de downloads em menos de cinco dias.
Mesmo assim, uma rede social própria enfrentaria concorrentes difíceis. O Threads, da Meta, já igualou o X em usuários móveis diários. Plataformas emergentes como Bluesky ultrapassaram 40 milhões de usuários, enquanto Instagram e TikTok lideram a corrida pelo conteúdo gerado por IA.
O próprio chefe do Instagram, Adam Mosseri, reconheceu recentemente que os feeds estão começando a se encher de material sintético — um sinal de como a disputa pela atenção está mudando.
O que está em jogo
Se a OpenAI decidir levar o projeto adiante, não será apenas mais uma rede social entrando no mercado. A aposta em verificação biométrica pode redefinir o debate sobre identidade online, enquanto a integração profunda com ferramentas de IA tende a acelerar a produção de conteúdo automatizado.
Por ora, não há data de lançamento — e fontes indicam que o formato final ainda pode mudar bastante. Mas a direção é clara: em um ecossistema cada vez mais povoado por máquinas, a OpenAI parece querer construir um espaço onde, ao menos em teoria, cada perfil represente uma pessoa real.
Resta saber se o público estará disposto a trocar conveniência por biometria — e se isso será suficiente para desafiar gigantes que já controlam bilhões de usuários.
[ Fonte: Forbes ]