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Pão de queijo: a história e os segredos por trás do quitute que conquistou o Brasil

De Minas Gerais para o país inteiro, o pão de queijo se tornou símbolo nacional. Mais do que um lanche, ele carrega tradição, criatividade e até um dia próprio no calendário. Descubra sua origem curiosa, as variações mais surpreendentes e os truques de especialistas para preparar a versão perfeita.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Poucos alimentos são tão unânimes entre os brasileiros quanto o pão de queijo. Ele atravessa gerações, aparece em todas as refeições e já ganhou status de patrimônio cultural. Sua versatilidade explica muito dessa paixão: vai bem simples, recheado, assado, frito e até transformado em sobremesa. Mais do que isso, tem até uma data especial no calendário: o 17 de agosto, Dia Nacional do Pão de Queijo.

Como nasceu o Dia Nacional do Pão de Queijo

A criação da data tem uma história curiosa. Foi em 2007, durante o programa de televisão de Ana Maria Braga, que surgiu o concurso “O Melhor Pão de Queijo do Brasil”. A disputa, vencida por uma receita mineira, repercutiu tanto que acabou dando origem a um dia oficial para celebrar o quitute. Desde então, a data virou motivo de homenagens em padarias, cafés e restaurantes por todo o país.

Embora Minas Gerais seja considerada a terra natal do pão de queijo, pesquisas mostram que São Paulo é hoje o maior consumidor, seguido pelo Rio de Janeiro. De qualquer forma, ele já extrapolou fronteiras e se firmou como uma verdadeira paixão nacional.

Raízes mineiras e influência indígena

A popularização do pão de queijo está ligada ao século 18, quando a cultura queijeira ganhou força em Minas Gerais. Ao mesmo tempo, o polvilho — feito a partir da mandioca e herdado dos povos indígenas — se consolidava como substituto da farinha de trigo, ainda rara no Brasil colonial.

A combinação do queijo artesanal mineiro com o polvilho resultou em uma receita prática, saborosa e resistente ao tempo. Foi assim que o pão de queijo começou a se espalhar pelas cozinhas e, posteriormente, pelas padarias do país.

A visão das chefs

A chef Andreza Luisa, natural de Santo Antônio do Monte, abriu recentemente o Belô Café em São Paulo e aposta em releituras criativas. Uma das mais ousadas é o sorvete de pão de queijo, servido com calda de goiabada e crumble de castanhas. “Infusionamos o pão tostadinho na base do sorvete, resfriamos e batemos. É uma das nossas melhores criações”, conta.

Mas como identificar um bom pão de queijo? Andreza explica: “Precisa ter casquinha crocante e dourada, queijo estourado por fora e massa bem assada, para não ficar borrachuda. Eu gosto da massa amarelinha, feita com ovos caipiras”.

Já a chef Mari Adania, do Feliciana Pães e Outras Histórias, no Mercado de Pinheiros, ressalta a importância do polvilho: “O doce deixa macio, com aquele ‘puxa puxa’. O azedo traz acidez, crocância e crescimento. Eu uso os dois”.

Ambas concordam em outro ponto: o queijo é a alma da receita. O meia-cura é o preferido, mas queijos do Serro, da Mantiqueira ou até o parmesão podem entrar na mistura.

Do forno à fritadeira

Embora o modo tradicional seja assar, alguns chefs arriscam novas técnicas. O cozinheiro André Mifano, do restaurante Donna, em São Paulo, decidiu fritar as bolinhas de massa em imersão. O resultado? Um pão de queijo leve e crocante, hoje um dos itens mais pedidos da casa.

Essa versatilidade explica por que o quitute também ganhou status de “pãozinho recheado”. Entre os recheios favoritos estão linguiça, pernil desfiado, requeijão de raspa e até versões doces com goiabada ou doce de leite.

Muito além de um lanche

Mais do que um simples acompanhamento para o café, o pão de queijo reflete parte da identidade brasileira. Ele combina técnicas indígenas, ingredientes coloniais e tradição mineira, mas também abre espaço para a inovação gastronômica.

Do café da manhã ao jantar sofisticado, do forno à fritadeira, da receita da avó às invenções modernas, o pão de queijo continua se reinventando — sem perder o lugar de estrela da mesa brasileira.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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