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Papa latino à vista? Intrigas, votos ocultos e um nome que preocupa Trump

Faltando poucas horas para o início do conclave, os corredores do Vaticano fervem com especulações, alianças discretas e possíveis surpresas. Um nome latino-americano começa a ganhar força — e incomoda o presidente Donald Trump. Conheça os bastidores dessa eleição decisiva para o futuro da Igreja e da política global.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Com 133 cardeais prestes a entrar em conclave, a escolha do próximo papa promete ser uma das mais imprevisíveis das últimas décadas. Entre campanhas discretas, candidaturas midiáticas e uma multidão de indecisos, o cenário está longe de apontar um favorito absoluto. A tensão é alta, e os bastidores revelam uma disputa que envolve não apenas fé, mas também geopolítica e disputas de influência global.

Favoritos em desvantagem e o fantasma de 2013

Segundo a correspondente Elisabetta Piqué, os nomes mais cotados neste momento são o do italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e o do filipino Luis Antonio “Chito” Tagle. Ambos têm bases sólidas, mas enfrentam um teto de votos que pode impedir sua eleição — são necessários 89 votos (dois terços) para alcançar o papado.

O caso de Parolin lembra o de Angelo Scola, favorito em 2013 que acabou descartado após campanha excessiva nos bastidores. A superexposição midiática pode ser um tiro no pé, despertando resistência entre cardeais que valorizam discrição e consenso.

Indecisos e possíveis surpresas de última hora

Um grupo crescente de cardeais indecisos, muitos deles recém-nomeados e pouco conectados entre si, pode se tornar decisivo. Segundo informações do jornal La Nación, esse grupo busca nomes menos expostos e que tragam um novo impulso à Igreja.

Entre os “outsiders” que ganham força está Robert Prevost, nascido em Chicago, mas com longa trajetória pastoral no Peru. Atual prefeito do Dicastério para os Bispos e da Comissão Pontifícia para a América Latina, Prevost carrega um perfil progressista e latino-americano, o que o distancia da política conservadora dos EUA.

Papa Latino à Vista (2)
© YouTube – DW em Espanhol

Uma fonte vaticana o definiu como “um papa latino, não um papa dos Estados Unidos”. Sua eventual eleição seria vista como um contraponto direto ao presidente Donald Trump, que recentemente publicou uma imagem sua vestido de papa, interpretada como provocação no Vaticano.

Um conclave cercado de segredo — e vigilância

Conforme determina a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, todos os envolvidos no conclave — cardeais, assistentes, médicos e seguranças — já fizeram juramento de sigilo absoluto, sob pena de excomunhão. Eles estão alojados na Casa Santa Marta, sem qualquer comunicação com o mundo exterior.

O sorteio das acomodações foi conduzido pelo cardeal camerlengo Kevin Farrell, que agora supervisiona todos os aspectos logísticos do processo.

E se o novo papa não for europeu?

Além de Prevost, outro nome mencionado nos bastidores é o do filipino Pablo “Ambo” David, presidente da Conferência dos Bispos das Filipinas. Carismático, defensor dos direitos humanos e crítico da violência estatal, David teria causado forte impressão em discursos anteriores ao conclave, ganhando apoio entre cardeais discretos.

Com os favoritos em xeque e os indecisos em ascensão, tudo indica que a próxima escolha pode repetir a surpresa de 1978, quando Karol Wojtyla, então desconhecido, se tornou João Paulo II. E assim como naquele ano, o próximo papa pode redefinir não apenas o destino da Igreja — mas também sua relação com os poderes do mundo.

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