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Ciência

Parecia impossível: astrônomos descobrem estrela verde pela primeira vez

Cientistas identificaram uma estrela que poderia parecer verde aos olhos humanos. A descoberta desafia uma antiga ideia da astronomia e revela o papel surpreendente da composição química estelar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, os astrônomos explicaram que estrelas podem parecer vermelhas, alaranjadas, brancas ou azuladas, mas não verdadeiramente verdes. Agora, pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, identificaram uma exceção surpreendente. Uma estrela morta, conhecida como WD J1330+6435, apresenta características que fariam sua luz parecer esverdeada aos olhos humanos. A descoberta não significa que uma estrela verde tenha sido fotografada diretamente, mas revela um fenômeno físico até então pouco explorado.

Por que os cientistas acreditavam que estrelas verdes não existiam?

Parecia impossível: astrônomos descobrem estrela verde pela primeira vez
© Pexels

A cor de uma estrela está diretamente relacionada à sua temperatura superficial.

Estrelas relativamente frias costumam apresentar tons avermelhados ou alaranjados, enquanto as mais quentes podem parecer brancas ou azuladas.

O Sol, por exemplo, emite luz em praticamente todas as cores visíveis, embora seu espectro tenha intensidade máxima próxima da região verde do arco-íris.

Mesmo assim, ele não parece verde.

Isso acontece porque nossos olhos combinam os diferentes comprimentos de onda recebidos, interpretando a mistura como luz branca.

O mesmo princípio explica por que estrelas comuns não apresentam uma coloração verde intensa.

Para produzir essa aparência, seria necessário alterar significativamente a proporção das cores que chegam ao observador.

E foi justamente esse mecanismo que os pesquisadores identificaram em um tipo especial de estrela.

Uma estrela morta revelou uma cor inesperada

Parecia impossível: astrônomos descobrem estrela verde pela primeira vez
© Pexels

A protagonista da descoberta é WD J1330+6435, uma anã branca cuja temperatura efetiva é de aproximadamente 4.240 kelvins, equivalente a cerca de 3.967 °C.

Anãs brancas são remanescentes extremamente densos de estrelas que esgotaram seu combustível nuclear.

Nos estágios finais da evolução de estrelas semelhantes ao Sol, as camadas externas são expelidas, deixando para trás um núcleo compacto que esfria lentamente durante bilhões de anos.

Apesar do nome, essas estrelas não precisam apresentar exclusivamente uma aparência branca.

A pesquisa demonstrou que a composição química de suas atmosferas pode modificar profundamente as cores percebidas.

No caso de WD J1330+6435, a presença de determinados elementos produz um efeito especialmente incomum: sua luz seria percebida como verde-amarelada.

O resultado foi apresentado por pesquisadores da Universidade de Warwick em um estudo publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments.

O segredo está no sódio presente na atmosfera

A estrela possui elementos como lítio, cálcio e sódio em sua atmosfera.

Esses materiais provavelmente chegaram até ela depois que fragmentos rochosos de seu antigo sistema planetário foram destruídos e incorporados à estrela.

O sódio desempenha um papel fundamental na aparência observada.

Esse elemento absorve determinadas regiões do espectro luminoso, reduzindo a quantidade de luz amarela, alaranjada e vermelha que escapa da atmosfera.

Com essa alteração, a combinação de comprimentos de onda restantes pode produzir uma aparência esverdeada.

Isso não significa que a estrela emita exclusivamente luz verde.

Ela continua produzindo radiação em diferentes comprimentos de onda, mas sua atmosfera funciona como um filtro que modifica a mistura percebida.

O efeito demonstra que a temperatura, embora fundamental, não é o único fator responsável pela aparência de uma estrela.

Outras estrelas podem ser rosas, roxas e até azul-esverdeadas

A estrela verde não foi a única surpresa.

Os pesquisadores também identificaram anãs brancas cuja composição atmosférica poderia produzir tons rosados, roxos, amarelos e azul-esverdeados.

Uma delas, WD J1011+2845, localizada a aproximadamente 48 anos-luz da Terra, apresenta uma aparência rosa-salmão.

Nesse caso, moléculas de carbono absorvem determinadas faixas da luz visível, alterando significativamente sua coloração.

A Universidade de Warwick explicou em seu comunicado oficial que a equipe utilizou espectros estelares combinados com modelos de visão humana para calcular como essas estrelas pareceriam se fossem observadas de perto.

Portanto, as cores não foram identificadas diretamente a olho nu, mas estimadas a partir de medições físicas.

Uma em cada 30 anãs brancas pode ter cores incomuns

Para avaliar a frequência dessas características, os astrônomos examinaram uma amostra de 151 anãs brancas localizadas a até aproximadamente 65 anos-luz da Terra.

Cinco apresentaram cores consideradas incomuns: duas amarelas e três rosadas.

A proporção sugere que aproximadamente uma em cada 30 anãs brancas poderia apresentar uma coloração diferente da esperada.

Apesar disso, a maioria continua sendo predominantemente branca.

O estudo também ajuda a corrigir a impressão de que essas estrelas seriam normalmente azuladas, uma percepção influenciada pelo fato de que objetos mais quentes e brilhantes são mais facilmente detectados.

O que a descoberta revela sobre o futuro do Sol?

Dentro de aproximadamente cinco bilhões de anos, o Sol começará a atravessar as etapas finais de sua evolução, expandindo-se até se tornar uma gigante vermelha.

Posteriormente, perderá suas camadas externas e deixará uma anã branca.

Os resultados mostram que esses remanescentes estelares podem guardar vestígios químicos dos sistemas planetários que existiram ao seu redor.

Quando asteroides ou outros corpos rochosos são destruídos e incorporados à atmosfera de uma anã branca, seus elementos químicos podem modificar a luz emitida.

Isso oferece aos astrônomos uma maneira adicional de investigar a composição de antigos sistemas planetários.

A descoberta também amplia nossa compreensão sobre a aparência do Universo.

Afinal, mesmo estrelas consideradas mortas podem apresentar características surpreendentes.

E, pela primeira vez, a ciência identificou evidências convincentes de que uma delas poderia iluminar o espaço com um brilho verdadeiramente esverdeado.

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