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Ciência

Perseverance bate recorde em Marte e se torna o veículo que mais rodou fora da Terra

O robô da NASA ultrapassou os 45 quilômetros percorridos na superfície marciana e superou a marca do Opportunity. O feito mostra o avanço da navegação autônoma, que permite atravessar terrenos difíceis com mais eficiência e ampliar o acesso a locais importantes para investigar o passado do planeta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Percorrer 45 quilômetros pode parecer pouco para um carro na Terra. Em Marte, porém, essa distância representa anos de trabalho entre rochas, areia e obstáculos que exigem decisões cuidadosas. No dia 11 de outubro de 2026, o Perseverance chegou a 45,22 quilômetros acumulados e assumiu o recorde de distância percorrida por um veículo na superfície de outro mundo, ultrapassando os 45,16 quilômetros do Opportunity. 

Uma pequena viagem completou a ultrapassagem

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© YouTube

O deslocamento que garantiu o recorde teve 91,31 metros. Ele ocorreu no 2.006º dia marciano da missão, segundo o registro divulgado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Uma das câmeras de navegação fotografou o terreno durante aquele percurso. Na imagem, as marcas das rodas aparecem sobre uma paisagem rochosa, registrando uma etapa aparentemente comum que acabou entrando para a história da exploração espacial.

A comparação também evidencia a diferença entre gerações de robôs. O Opportunity explorou Marte entre 2004 e 2018. Já o Perseverance, que pousou em 2021, ultrapassou sua quilometragem em pouco mais de cinco anos e meio. 

O segredo está em decidir enquanto avança

Parte importante desse desempenho vem do AutoNav, o sistema de navegação autônoma do veículo. Ele permite analisar o terreno e escolher caminhos entre pontos definidos pelos planejadores na Terra.

Os robôs anteriores precisavam interromper o movimento com mais frequência para avaliar o próximo trecho. O Perseverance combina câmeras mais rápidas com um computador dedicado ao processamento de imagens. Assim, consegue tomar decisões durante o deslocamento, reduzindo as pausas.

Conforme explica a NASA em uma análise sobre a autonomia do Perseverance, essa arquitetura amplia a capacidade de contornar obstáculos. Os operadores continuam responsáveis pelo planejamento, enquanto o robô resolve detalhes do caminho à medida que encontra as condições reais da superfície. 

O sistema mais recente também avalia possíveis perigos até cerca de 15 metros à frente. O software considera a posição de cada roda, as características do terreno e as áreas que os operadores autorizam ou proíbem atravessar. Mais de 90% do percurso da missão contou com direção autônoma. 

Rodar mais significa alcançar mais ciência

A quilometragem tem valor porque permite investigar ambientes diferentes. O Perseverance estuda a geologia e o clima antigo de Marte, procura possíveis sinais de vida microbiana passada e coleta amostras de rochas.

Uma navegação mais eficiente amplia o território acessível aos instrumentos. Também permite atravessar trechos difíceis para alcançar formações que despertam interesse científico, em vez de limitar o trabalho aos locais mais fáceis de visitar. 

No momento do recorde, o veículo seguia em direção a uma área chamada Idubi, além da borda oeste da cratera Jezero. Ali, a equipe pretende procurar vestígios de antigos sistemas hidrotermais, ambientes associados à circulação de água aquecida. A extensão da missão aprovada pela NASA prevê exploração até aproximadamente o fim de 2028. 

O robô ainda tem estrada pela frente

Vida Em Marte1
© Now in America – Youtube

Os engenheiros também verificam quanto tempo os componentes podem continuar funcionando. Em testes de durabilidade divulgados pela NASA, os mecanismos que giram as rodas demonstraram capacidade para pelo menos mais 60 quilômetros.

As avaliações de quase todos os subsistemas indicaram condições de operação até, no mínimo, 2031. Isso não garante que a missão chegará a essa data, mas sustenta a expectativa de novas viagens. Para o Perseverance, o recorde atual pode ser apenas mais uma parada no caminho. 

 

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