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EUA avaliam usar “mãe de todas as bombas” contra o Irã, mas potência não garante eficácia

Planos militares americanos incluem a possibilidade de empregar a MOAB contra alvos iranianos, segundo fontes ouvidas pela CNN. A arma provoca uma enorme explosão, mas sua capacidade contra instalações profundamente enterradas desperta dúvidas. A discussão envolve tanto os efeitos militares quanto a mensagem política de uma eventual ofensiva.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os Estados Unidos estudam empregar a bomba GBU-43/B, conhecida como “mãe de todas as bombas”, em possíveis novos ataques contra o Irã. Segundo a CNN, os planos incluem infraestrutura energética e instalações nucleares. A hipótese depende de uma decisão do presidente Donald Trump. Até agora, o planejamento relatado pela emissora não equivale a uma autorização para executar a operação. 

O que é a “mãe de todas as bombas”

Bomba Nuclear
© Pexels

MOAB é a sigla de Massive Ordnance Air Blast, nome oficial de uma munição convencional guiada por GPS. O apelido popular ajuda a transmitir sua dimensão, mas não significa que ela seja uma arma nuclear.

De acordo com a Força Aérea dos Estados Unidos, a bomba pesa aproximadamente 21.600 libras, equivalentes a 9,8 toneladas. O sistema de orientação permite direcioná-la ao alvo, enquanto sua concepção privilegia os efeitos de uma explosão de grande intensidade.

Essas características precisam ser consideradas separadamente. A orientação indica como a munição chega ao ponto escolhido. Já o tipo de construção e o funcionamento da arma determinam quais efeitos ela pode produzir. Uma bomba pesada e guiada não adquire, apenas por essas qualidades, capacidade de destruir qualquer instalação. 

A dificuldade está nos alvos subterrâneos

Fontes ouvidas pela CNN questionam a utilidade da MOAB contra instalações iranianas protegidas por grandes profundidades e camadas de rocha. Entre os locais mencionados está a Montanha Pickaxe, associada por autoridades americanas e israelenses ao programa nuclear iraniano.

A principal limitação é que a MOAB não foi projetada como uma bomba de penetração profunda. Por isso, uma explosão devastadora na superfície não assegura a destruição das estruturas subterrâneas que motivariam o ataque. 

O arsenal americano inclui outra categoria de armamento para esse problema. A GBU-57 Massive Ordnance Penetrator, ou MOP, foi desenvolvida para alcançar instalações fortemente protegidas. Embora os nomes sejam parecidos, MOAB e MOP têm projetos e funções distintos.

Essa diferença ajuda a entender por que o tamanho da explosão não basta para avaliar uma operação. A pergunta central é se a arma consegue atingir a parte da instalação que precisa ser neutralizada. A existência de uma munição específica para alvos protegidos também não garante sucesso contra qualquer profundidade ou configuração. 

O precedente do Afeganistão

A MOAB ganhou destaque em combate em 13 de abril de 2017. Na ocasião, os Estados Unidos a empregaram contra um complexo de túneis do Estado Islâmico-Khorasan no distrito de Achin, no Afeganistão.

O comunicado do Comando Central americano descreveu uma operação contra uma posição fortificada do grupo. Esse precedente demonstra o uso da arma contra uma rede de túneis específica. Não comprova, por si só, sua eficácia contra instalações nucleares com outras características de proteção. 

Uma decisão com efeitos além da explosão

Segundo a CNN, as discussões também envolvem o impacto psicológico da arma e a busca por uma saída política para o conflito. Fontes alertam, porém, que seu emprego dificilmente garantiria a capitulação iraniana. Também apontam riscos para civis caso os alvos estejam próximos de áreas povoadas.

O impasse permanece: produzir uma demonstração de força e alcançar um objetivo estratégico são resultados diferentes. A avaliação dos próprios funcionários ouvidos pela emissora indica que uma explosão maior não oferece, automaticamente, uma solução para a guerra. 

 

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