O debate sobre a inteligência artificial ganhou um novo capítulo envolvendo duas figuras de enorme influência em áreas completamente diferentes. De um lado, o bilionário Peter Thiel, um dos principais nomes da tecnologia nos Estados Unidos. Do outro, o papa Leão XIV, que recentemente defendeu uma regulamentação internacional para a IA. As declarações do empresário provocaram forte repercussão e reacenderam discussões sobre tecnologia, política e religião.
Críticas à posição do Vaticano colocaram a inteligência artificial no centro do debate

Durante sua participação no Festival de Ideias de Aspen, realizado no estado norte-americano do Colorado, Peter Thiel criticou duramente a primeira encíclica publicada pelo papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas.
No documento, o pontífice defende que a inteligência artificial seja submetida a regras internacionais e afirma que essa tecnologia não é neutra, podendo ampliar desigualdades sociais, econômicas e tecnológicas entre países e populações.
Para Thiel, essa posição prejudicaria apenas os países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, enquanto a China continuaria avançando no desenvolvimento da inteligência artificial sem enfrentar as mesmas limitações.
Foi nesse contexto que o empresário afirmou que o papa estaria “trabalhando para os comunistas chineses”, declaração que rapidamente repercutiu na imprensa internacional.
Segundo relatos de jornalistas presentes no evento, o comentário foi feito de forma séria, embora parte do público tenha reagido com risadas. O painel não foi gravado, mas diversos veículos confirmaram o conteúdo das declarações. Até o momento, o Vaticano não comentou o episódio.
O conflito entre Thiel e a Igreja Católica já vinha se intensificando
Essa não é a primeira vez que Peter Thiel entra em rota de colisão com o Vaticano.
Nos últimos meses, o empresário organizou encontros privados em Roma para discutir o conceito do Anticristo, evento que gerou desconforto dentro da Igreja Católica e levou instituições religiosas a esclarecer publicamente que não participaram da iniciativa.
Segundo informações divulgadas anteriormente por diferentes veículos, Thiel também teria sugerido em conversas privadas que Leão XIV poderia representar uma manifestação do Anticristo.
O empresário defende uma interpretação segundo a qual essa figura não surgiria necessariamente como uma pessoa específica, mas poderia se manifestar por meio de uma estrutura de governo global criada sob o argumento de proteger a humanidade de grandes ameaças, como as mudanças climáticas ou a própria inteligência artificial.
Durante o mesmo evento em Aspen, Thiel também fez outras declarações polêmicas. Sem apresentar evidências, afirmou que empresas de inteligência artificial poderiam influenciar futuras eleições nos Estados Unidos e comentou possíveis mudanças no cenário político norte-americano.
Relação com Donald Trump amplia o peso político das declarações
Além de ser um dos fundadores do PayPal e da Palantir, Peter Thiel é um dos empresários mais influentes do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
Ele foi um dos primeiros grandes nomes do Vale do Silício a apoiar Donald Trump e também teve papel importante na trajetória política do atual vice-presidente JD Vance.
A Palantir, empresa cofundada por Thiel, mantém contratos bilionários com órgãos do governo norte-americano, incluindo o Pentágono e agências federais de segurança.
As declarações do empresário surgem em um momento de relação delicada entre a administração Trump e o Vaticano.
Nos últimos meses, o presidente norte-americano também fez críticas públicas ao papa Leão XIV, questionando sua atuação em temas ligados à segurança e à política internacional.
Ao assumir o pontificado, Leão XIV afirmou que considera a inteligência artificial um dos maiores desafios contemporâneos para a humanidade. Inspirado na tradição social inaugurada por Leão XIII com a encíclica Rerum Novarum, o novo papa defende que a Igreja participe ativamente das discussões sobre os impactos da IA na dignidade humana, no trabalho e na justiça social, posição que agora também passou a ser alvo de críticas vindas de parte do setor tecnológico.
[Fonte: Lared21]