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Ciência

Por que tantos jogadores estão cortando as meias na Copa do Mundo de 2026? A ciência tem uma resposta

Os buracos nas meias de vários jogadores chamaram a atenção durante a Copa do Mundo de 2026. Embora muitos atletas afirmem que a prática aumenta o conforto em campo, estudos ainda não encontraram evidências de que ela melhore o desempenho ou reduza o risco de lesões.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quem acompanha a Copa do Mundo de 2026 provavelmente já reparou em um detalhe curioso: muitos jogadores entram em campo usando meias com vários cortes na região da panturrilha. O hábito se espalhou pelas redes sociais e gerou diferentes teorias sobre uma suposta vantagem competitiva. Mas será que a prática realmente funciona?

A resposta, por enquanto, é não. Apesar de ser cada vez mais comum no futebol profissional, a ciência ainda não encontrou provas de que cortar as meias melhore o rendimento dos atletas. Ainda assim, existe uma explicação biomecânica que ajuda a entender por que tantos jogadores adotaram esse costume.

Por que os jogadores fazem cortes nas meias?

Por Que Tantos Jogadores Estão Cortando As Meias Na Copa Do Mundo De 2026 A Ciência Tem Uma Resposta
© Stuart MacFarlane/Getty Images

As meias utilizadas no futebol profissional são projetadas para ficarem bem ajustadas às pernas.

Além de manter as caneleiras firmes, elas oferecem suporte ao tornozelo, ao arco do pé e à panturrilha, reduzem o atrito dentro da chuteira e ajudam no controle da umidade durante a partida.

Essas peças normalmente são produzidas com fibras sintéticas, como poliéster, náilon e elastano, materiais leves e resistentes que também exercem compressão sobre a musculatura.

O problema é que alguns jogadores consideram essa compressão excessiva.

Durante corridas, arrancadas e mudanças bruscas de direção, o principal músculo da panturrilha aumenta de volume milhares de vezes ao longo de uma partida. Para alguns atletas, essa expansão constante provoca sensação de aperto, formigamento ou até dormência.

Ao fazer pequenos cortes na meia, eles acreditam aliviar essa pressão e ganhar mais liberdade de movimento.

O que a ciência sabe até agora

Apesar da popularidade da prática, não existem estudos científicos que comprovem benefícios fisiológicos do corte nas meias.

Especialistas em medicina esportiva afirmam que não há evidências de que os buracos reduzam dores musculares, diminuam a ocorrência de cãibras ou aumentem o desempenho físico.

Na verdade, boa parte das pesquisas sobre roupas de compressão aponta justamente o contrário: quando bem ajustadas, elas podem ajudar a reduzir o inchaço muscular após exercícios intensos e favorecer a recuperação.

Isso significa que retirar parte da compressão dificilmente oferece uma vantagem física comprovada.

O conforto pode fazer diferença

Embora a ciência não tenha encontrado benefícios diretos, muitos especialistas acreditam que exista outro fator envolvido: a percepção do próprio atleta.

No esporte de alto rendimento, sentir-se confortável pode aumentar a confiança durante a competição.

Se um jogador acredita que a meia está apertando demais a panturrilha, eliminar essa sensação pode fazê-lo correr, acelerar e mudar de direção com mais segurança — mesmo que, objetivamente, seu desempenho permaneça o mesmo.

Em outras palavras, o benefício pode ser muito mais psicológico do que fisiológico.

A prática é permitida?

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© YouTube

Sim. As regras do futebol não proíbem que os jogadores façam modificações nas meias.

A única exigência é que o equipamento continue seguro e que as caneleiras permaneçam totalmente cobertas durante a partida.

Por isso, os cortes já apareceram em competições como Eurocopas, Jogos Olímpicos e agora também na Copa do Mundo de 2026.

Até o momento, porém, não há qualquer evidência de que eles ofereçam vantagem competitiva ou reduzam o risco de lesões.

O que os estudos indicam é que cada atleta percebe a compressão de maneira diferente. Características individuais, como anatomia, sensibilidade muscular e experiências anteriores, influenciam diretamente essa sensação.

Assim, dois jogadores podem usar exatamente a mesma meia e ter percepções completamente diferentes.

Enquanto novas pesquisas não esclarecem a questão, tudo indica que os cortes nas meias continuarão fazendo parte do futebol moderno — muito mais como um ritual de conforto pessoal do que como uma inovação capaz de transformar o desempenho dentro de campo.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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