Os resultados do PISA 2025 trouxeram notícias preocupantes para a educação mundial. No México, sete em cada dez estudantes de 15 anos não alcançaram o nível básico de competência em matemática. Entretanto, os números escondem uma realidade menos pessimista: os jovens mexicanos demonstram perseverança, disposição para aprender e capacidade de colaborar com colegas. Esses indicadores sugerem que o problema não está simplesmente na motivação dos alunos, mas também nas condições oferecidas para transformar esforço em conhecimento.
O que a prova PISA revelou sobre a educação mexicana?

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mede a capacidade de jovens de 15 anos aplicarem conhecimentos em situações cotidianas.
Diferentemente de exames tradicionais, a avaliação não se concentra apenas na memorização de conteúdos escolares.
Ela investiga se os estudantes conseguem interpretar informações, resolver problemas matemáticos e utilizar conhecimentos científicos.
Na edição de 2025, divulgada em setembro de 2026, o México apresentou resultados inferiores às médias dos países da OCDE nas três principais áreas avaliadas.
O resultado mais preocupante apareceu em matemática.
Apenas 30% dos estudantes mexicanos alcançaram o nível mínimo de competência, enquanto aproximadamente 70% ficaram abaixo desse patamar.
Em comparação com 2022, a pontuação em matemática caiu sete pontos, uma redução estatisticamente significativa.
Já as variações em leitura e ciências não foram suficientemente grandes para indicar uma mudança conclusiva no desempenho.
A surpresa: estudantes mexicanos demonstram mais perseverança

Apesar das dificuldades acadêmicas, os questionários complementares do PISA revelaram características positivas.
Segundo uma análise da organização México Evalúa, 76% dos estudantes mexicanos afirmaram que se esforçam mais quando encontram uma tarefa difícil.
Entre os países da OCDE, a média foi de 60%.
A diferença sugere que muitos jovens demonstram disposição para enfrentar desafios, mesmo quando os resultados escolares permanecem abaixo do esperado.
Esse dado é importante porque contraria a ideia de que o baixo desempenho educacional pode ser explicado simplesmente pela falta de interesse dos estudantes.
Na realidade, o esforço individual depende também de fatores como qualidade do ensino, materiais disponíveis e condições socioeconômicas.
A análise publicada pela México Evalúa destaca justamente a dificuldade do sistema educacional em transformar perseverança em melhores resultados de aprendizagem.
Professores e colegas aparecem como importantes aliados
Outro aspecto positivo está relacionado ao apoio recebido dentro das escolas.
De acordo com dados apresentados pelo governo mexicano, 82% dos estudantes afirmaram procurar ajuda dos professores quando enfrentam dificuldades.
A média da OCDE foi de 77%.
Além disso, 86% disseram recorrer aos colegas quando não compreendem completamente determinado conteúdo, contra 82% na média internacional.
Esses indicadores mostram a presença de relações de colaboração no ambiente escolar.
Em ciências, 81% dos estudantes mexicanos também relataram perceber interesse dos professores em seu aprendizado.
Embora esses resultados não eliminem as dificuldades acadêmicas, eles revelam recursos humanos e sociais que podem contribuir para melhorias futuras.
Mais jovens estão frequentando a escola
Um dos avanços identificados pelo PISA envolve a ampliação do acesso à educação.
A cobertura da população mexicana de 15 anos representada pela avaliação passou de aproximadamente 63,5% em 2022 para 69% em 2025.
Isso significa que uma parcela maior dos adolescentes está incluída no universo escolar avaliado.
A mudança exige cuidado ao comparar resultados de diferentes anos, porque a composição dos estudantes também pode variar.
Entretanto, ampliar o acesso não resolve automaticamente os problemas de aprendizagem.
O desafio é garantir que os jovens permaneçam na escola e desenvolvam competências necessárias para a vida adulta.
Inteligência artificial apresenta uma nova oportunidade e um risco
A avaliação também revelou como as ferramentas digitais estão entrando na rotina dos estudantes.
No México, aproximadamente 47% dos adolescentes utilizam inteligência artificial para aprender pelo menos uma vez por semana.
Porém, apenas quatro em cada dez verificam a confiabilidade das respostas produzidas por essas ferramentas.
O resultado indica uma oportunidade para ensinar pensamento crítico, verificação de informações e uso responsável da tecnologia.
Sem orientação adequada, a IA pode facilitar tarefas escolares sem necessariamente melhorar a compreensão dos conteúdos.
O que o Brasil pode aprender com esses resultados?
A experiência mexicana oferece uma reflexão relevante para outros países latino-americanos, incluindo o Brasil.
Os resultados educacionais não dependem exclusivamente do esforço dos estudantes.
Investimentos na formação de professores, infraestrutura escolar, acompanhamento individualizado e estratégias para recuperar dificuldades de aprendizagem também são fundamentais.
Além disso, comparar pontuações sem considerar desigualdades sociais pode esconder diferenças importantes entre escolas e populações.
A principal mensagem dos dados mexicanos é que existe disposição para aprender, mas nem sempre o sistema consegue aproveitar esse potencial.
Os resultados do PISA são preocupantes, porém também ajudam a identificar caminhos para melhorar a educação.