Um bom tênis esportivo faz muito mais do que completar o visual da academia. Ele ajuda a absorver impactos, oferece estabilidade durante os movimentos e pode contribuir para reduzir a sobrecarga nos pés e nas articulações.
O problema é que nem sempre o desgaste aparece claramente por fora.
Um tênis pode continuar aparentemente inteiro enquanto os materiais responsáveis pelo amortecimento já perderam parte de suas propriedades. Por isso, utilizar o mesmo par durante vários anos nem sempre é uma boa ideia, principalmente para quem pratica atividades físicas regularmente.
Quantos quilômetros dura um tênis esportivo?

Como referência geral, especialistas costumam recomendar a substituição dos tênis esportivos depois de aproximadamente 500 a 800 quilômetros de uso.
Essa distância, entretanto, não funciona como uma regra absoluta.
A durabilidade depende do modelo, qualidade dos materiais, peso corporal, tipo de exercício, frequência dos treinos e até da superfície utilizada.
Uma pessoa que caminha diariamente, por exemplo, pode chegar ao momento de substituir o tênis depois de aproximadamente seis a 12 meses.
Já alguém que pratica corrida ou exercícios de alto impacto várias vezes por semana pode perceber sinais de desgaste mais rapidamente.
Por isso, contar quilômetros ajuda, mas observar o próprio tênis continua sendo fundamental.
A entressola é uma das partes mais importantes
Uma das principais regiões a observar é a entressola, localizada entre o pé e a parte externa da sola.
Ela contém materiais desenvolvidos para absorver parte do impacto produzido durante uma caminhada, corrida ou exercício.
Com milhares de compressões, esses materiais podem perder progressivamente sua capacidade de retornar ao formato original.
O problema é que essa deterioração nem sempre fica evidente visualmente.
Quando o amortecimento diminui, o usuário pode começar a sentir mais impacto durante os exercícios. Pés, tornozelos, joelhos, quadris e até a região das costas podem perceber essa mudança.
Seu tênis pode avisar quando chegou a hora da troca
Existem alguns sinais relativamente fáceis de identificar.
Um deles é o desgaste acentuado da sola, principalmente quando determinadas regiões estão muito mais gastas do que outras.
Também vale colocar o tênis sobre uma superfície plana. Se ele estiver claramente inclinado para um dos lados ou apresentar deformações importantes no calcanhar, sua estrutura pode já estar comprometida.
Outro sinal aparece durante o próprio exercício.
Um tênis que sempre foi confortável pode começar a parecer mais duro. O impacto fica mais perceptível e podem surgir desconfortos que antes não existiam.
Bolhas frequentes, dores nos pés ou mudanças repentinas na sensação da pisada também merecem atenção.
Isso não significa que qualquer dor seja provocada pelo tênis. Porém, quando o desconforto coincide com um calçado muito utilizado, seu estado deve entrar na avaliação.
Academia também desgasta o tênis
Não são apenas corredores que precisam prestar atenção.
Treinamento funcional, musculação e exercícios envolvendo saltos, acelerações ou mudanças rápidas de direção também exigem bastante do calçado.
Nesse caso, estabilidade lateral e firmeza podem ser tão importantes quanto amortecimento.
Um tênis deformado pode não responder da mesma maneira durante movimentos explosivos, especialmente quando o exercício exige mudanças de direção.
A intensidade e o tipo de treino, portanto, podem importar mais do que simplesmente contar há quantos meses o tênis foi comprado.
Nem todo tênis esportivo serve para qualquer exercício

Outro detalhe importante é utilizar um modelo adequado para a atividade praticada.
Tênis de corrida normalmente priorizam características como amortecimento e eficiência durante o movimento para frente.
Modelos destinados ao treinamento de academia ou cross training, por outro lado, costumam buscar maior estabilidade para movimentos laterais, levantamento de peso e exercícios variados.
Isso também influencia a durabilidade.
Usar constantemente um tênis em atividades para as quais ele não foi projetado pode acelerar seu desgaste ou comprometer seu desempenho.
Não espere o tênis literalmente se desfazer
A aparência externa não conta toda a história.
Mesmo sem rasgos ou grandes danos visíveis, um tênis esportivo pode ter perdido parte significativa do amortecimento e da estabilidade que possuía quando era novo.
Os 500 a 800 quilômetros funcionam como uma referência útil, mas não como uma data de validade exata.
A melhor estratégia é combinar quilometragem, tempo de uso, desgaste visual e, principalmente, mudanças na sensação durante o exercício.
Trocar o tênis no momento adequado não é apenas uma questão de desempenho. É também uma maneira simples de continuar treinando com conforto e segurança.
[ Fonte: La Voz ]