Pular para o conteúdo
Ciência

Quarenta anos depois do alerta: o que aconteceu com o buraco na camada de ozônio?

Desde sua descoberta na Antártida em 1985, o buraco na camada de ozônio mobilizou o mundo e resultou em um dos tratados ambientais mais eficazes da história. Mas apesar do progresso, a recuperação completa ainda levará décadas — e depende de um compromisso climático que está longe de ser universal.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Há 40 anos, cientistas revelaram um dos maiores perigos ambientais do século XX: o buraco na camada de ozônio. A descoberta, feita na Antártida, provocou uma reação internacional sem precedentes e levou à criação de políticas globais que mudaram o rumo da proteção ambiental. No entanto, a luta pela restauração total dessa camada vital ainda está longe do fim — e carrega lições importantes para o presente.

 

O alerta de 1985: um choque para a ciência e a humanidade

Antartida
© Dylan Shaw- Unsplash

Foi em maio de 1985 que pesquisadores do British Antarctic Survey identificaram um afinamento anormal na camada de ozônio sobre a Antártida. O artigo publicado na Nature soou o alarme: sem a camada de ozônio, a Terra estaria exposta a níveis perigosos de radiação ultravioleta, com impactos graves sobre a saúde humana e os ecossistemas.

O cientista Dominic Hodgson lembra que esse foi um dos maiores marcos ambientais do século XX, destacando a importância da ciência aliada à cooperação global. Já Jon Shanklin, coautor da descoberta, admite que jamais imaginou a resposta internacional que o estudo geraria.

 

Por que a camada de ozônio é tão essencial?

Situada na estratosfera, a camada de ozônio funciona como um escudo contra a radiação UV do sol. Sua ausência pode aumentar os casos de câncer de pele, catarata, problemas no DNA e desequilíbrios nos ecossistemas. Sem ela, até mesmo a agricultura e os ciclos naturais das plantas seriam prejudicados.

É por isso que a descoberta do buraco gerou tanto alarme: estava em risco o próprio equilíbrio da vida na Terra.

 

Os culpados: CFCs e outros gases destrutivos

As pesquisas apontaram como principais responsáveis os clorofluorcarbonetos (CFCs), presentes em refrigeradores, aerossóis e solventes. Ao chegarem à estratosfera, esses compostos liberam átomos de cloro e bromo, que destroem o ozônio muito mais rápido do que ele pode se regenerar.

A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) destaca que os CFCs têm longa permanência na atmosfera — até 50 anos ou mais — o que explica por que o problema persiste mesmo após a sua proibição.

 

Protocolo de Montreal: exemplo de ação global bem-sucedida

Dois anos após o alerta científico, o mundo reagiu com o Protocolo de Montreal, assinado em 1987. O tratado limitou e depois eliminou progressivamente o uso de substâncias que destroem o ozônio. É hoje considerado um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos da história, com adesão universal.

Segundo Jon Shanklin, o tratado “está funcionando”, com a concentração de gases nocivos em declínio, o que já salvou milhares de vidas e preservou biodiversidades inteiras.

 

Recuperação lenta e desafios pela frente

Apesar dos avanços, o buraco na camada de ozônio continua se formando a cada primavera no Hemisfério Sul, especialmente sobre a Antártida. De acordo com o British Antarctic Survey, ele ainda é grande e profundo, e a recuperação total pode demorar até depois de 2070.

Shanklin alerta que a recuperação está um pouco mais lenta do que o previsto, possivelmente devido a interações com o próprio aquecimento global. Há um risco real de que as mudanças climáticas estejam interferindo na regeneração do ozônio.

 

Lições para a crise climática atual

Crise Climatica
© Matt Palmer- Unsplash

A resposta ao buraco na camada de ozônio é frequentemente usada como modelo de sucesso. No entanto, Shanklin faz um alerta: diferentemente do que ocorreu com o Protocolo de Montreal, a maioria dos desafios ambientais de hoje recebe apenas promessas e poucas ações concretas.

Segundo ele, isso se deve a um modelo econômico “perverso”, que trata os recursos naturais como infinitos e ignora os custos ambientais. É essa lógica que, segundo o cientista, alimenta a atual crise climática.

 

 

Quatro décadas após a descoberta do buraco na camada de ozônio, o planeta colhe os frutos de uma resposta rápida e coordenada. Ainda assim, a recuperação total só deve ocorrer por volta de 2070 — e o progresso depende de um esforço contínuo. O caso serve de exemplo de que, com ciência, cooperação e vontade política, é possível enfrentar ameaças globais — mas também mostra como é difícil repetir esse feito diante da crise climática atual.

 

Fonte: Infobae

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados