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Tecnologia

Quatro pernas, dois metros e braços intercambiáveis: conheça o robô pensado para emergências

Ele tem uma aparência incomum, quatro pernas e um corpo inspirado no ser humano. Mas sua verdadeira função aparece quando o cenário se torna perigoso demais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine chegar a um incêndio, a um prédio parcialmente destruído ou a uma área tomada por escombros e, antes de enviar qualquer pessoa, mandar uma máquina para descobrir o que existe lá dentro. Essa é a ideia por trás de um novo robô desenvolvido nos Estados Unidos. Seu formato chama atenção imediatamente, mas cada detalhe de sua construção foi pensado para uma tarefa bastante prática: assumir os riscos que poderiam custar a vida de um profissional.

Um formato estranho que esconde uma escolha bastante lógica

A startup californiana Satyress criou o Threehalves, um robô de aproximadamente dois metros de altura que parece ter saído de uma mistura entre ficção científica e mitologia. Em vez de duas pernas, ele possui uma base quadrúpede sobre a qual foi instalado um torso semelhante ao de um humanoide.

A combinação pode parecer estranha à primeira vista, mas existe uma razão para ela. A parte superior permite utilizar ferramentas e realizar movimentos semelhantes aos que seriam necessários para uma pessoa. Já as quatro pernas proporcionam uma plataforma mais estável para atravessar terrenos irregulares.

O robô foi pensado para situações nas quais entrar primeiro pode ser extremamente perigoso. Incêndios, estruturas instáveis, desabamentos e áreas atingidas por desastres naturais estão entre os cenários em que uma máquina desse tipo poderia atuar.

Até sua aparência tem uma explicação. Na região da cabeça, duas estruturas lembram chifres de um centauro, enquanto câmeras e sistemas de iluminação funcionam como os olhos da máquina. Assim, um operador consegue enxergar o ambiente mesmo quando fumaça, escuridão ou obstáculos tornam a visão humana praticamente impossível.

Outro detalhe importante é o transporte. O Threehalves pode ser dobrado para ocupar menos espaço, e a empresa afirma que duas unidades conseguem ser acomodadas em um contêiner com cerca de 1,70 metro.

As ferramentas podem mudar conforme o perigo

O conceito fica ainda mais interessante quando se observa os braços. Em vez de serem componentes fixos, eles foram projetados como módulos que podem ser trocados rapidamente.

Isso permite adaptar o robô à missão. Dependendo da necessidade, ele pode receber ferramentas como furadeiras, chaves de fenda e até uma motosserra. A vantagem é utilizar equipamentos conhecidos, sem exigir que cada ferramenta seja criada especificamente para a máquina.

Em uma operação de emergência, essa flexibilidade pode ser decisiva. Se um braço for danificado durante uma missão, a possibilidade de substituí-lo rapidamente também reduz o tempo em que o equipamento fica fora de ação.

A proposta faz sentido especialmente em ambientes onde calor, fogo, objetos cortantes ou estruturas instáveis representam riscos elevados. Em vez de enviar imediatamente uma equipe para descobrir o que está acontecendo, o robô pode ser utilizado como uma espécie de primeiro explorador.

Mas há uma característica que diferencia o projeto de algumas das propostas mais ambiciosas da robótica atual: ele não foi criado para tomar decisões sozinho.

A máquina entra no perigo, mas alguém continua no comando

O Threehalves é controlado remotamente por um operador. O sistema utiliza um joystick semelhante aos controles encontrados em videogames, mantendo as decisões importantes nas mãos de uma pessoa que permanece fora da área perigosa.

Essa abordagem pode parecer menos futurista do que um robô completamente autônomo, mas também oferece uma vantagem importante: o profissional consegue avaliar situações imprevisíveis e decidir como a máquina deve reagir.

O equipamento também conta com mecanismos destinados a interromper seus movimentos em situações de emergência. Um sistema específico pode enviar um comando para pará-lo, enquanto depósitos de ar comprimido são utilizados para acionar freios pneumáticos e imobilizar a estrutura.

Por enquanto, entretanto, existe uma distância considerável entre o protótipo e uma máquina presente regularmente em equipes de resgate. A Satyress ainda não divulgou um preço definitivo nem uma data concreta para comercialização.

A expectativa inicial está relacionada principalmente a incêndios florestais e operações de emergência nos Estados Unidos. No futuro, porém, o conceito poderia ser adaptado para diferentes ambientes.

E talvez essa seja a parte mais interessante do projeto. O Threehalves não precisa parecer humano para trabalhar ao lado de humanos. Se a missão é entrar primeiro em lugares onde uma pessoa não deveria entrar, estabilidade, resistência e controle remoto podem ser muito mais importantes do que ter uma aparência familiar.

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