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Tecnologia

Meta patenteia óculos capazes de reconhecer rostos e associar informações a pessoas

Uma patente revela que a Meta continua explorando sistemas de reconhecimento facial para seus óculos inteligentes. A tecnologia poderia identificar pessoas e relacionar seus rostos a diferentes informações, aumentando as preocupações com privacidade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os óculos inteligentes estão se tornando uma das principais apostas da Meta para levar inteligência artificial ao cotidiano. No entanto, uma das tecnologias estudadas pela empresa de Mark Zuckerberg continua provocando resistência: o reconhecimento facial.

Uma patente solicitada pela companhia mostra que a Meta trabalha em um sistema capaz de usar inteligência artificial para reconhecer pessoas e utilizar informações relacionadas a elas na criação de conteúdo multimídia. O documento não significa que a tecnologia chegará necessariamente a um produto comercial, mas revela uma área que continua sendo investigada pela empresa.

A descoberta ganha importância porque indícios semelhantes já apareceram anteriormente dentro do ecossistema da Meta. Ao mesmo tempo, especialistas e organizações de defesa dos direitos digitais alertam para os riscos de colocar sistemas de identificação biométrica em dispositivos que podem registrar constantemente o ambiente ao redor do usuário.

Meta continua explorando reconhecimento facial em seus óculos

Meta Ia Oculos
© Raymond Wong / Gizmodo

Em fevereiro, a Meta apresentou um pedido de patente relacionado ao uso de reconhecimento facial alimentado por inteligência artificial. A proposta permitiria identificar pessoas e utilizar informações associadas a elas para produzir diferentes tipos de conteúdo.

Por enquanto, não existe confirmação de que a tecnologia será incorporada aos próximos óculos inteligentes da empresa.

Entretanto, o documento reforça informações anteriores sobre um recurso interno conhecido como “Name Tag”. O sistema abriria caminho para que os óculos inteligentes reconhecessem pessoas encontradas pelo usuário.

Em junho, componentes relacionados ao reconhecimento facial também foram encontrados desativados dentro do aplicativo Meta AI. Entre eles estavam mecanismos de detecção facial que poderiam, potencialmente, ser utilizados no processamento de informações biométricas.

A descoberta provocou preocupação justamente pela sensibilidade desse tipo de dado.

Posteriormente, a Meta removeu o código relacionado e afirmou que nenhuma função de reconhecimento facial havia sido ativada para os usuários.

Reconhecer alguém na rua muda completamente o debate

Existe uma diferença importante entre óculos capazes de fotografar ou gravar uma pessoa e um dispositivo que consegue descobrir automaticamente quem ela é.

Com reconhecimento facial, uma câmera deixa de simplesmente registrar uma imagem e passa a funcionar como uma ferramenta potencial de identificação.

Dependendo de como a tecnologia fosse implementada, seria possível imaginar um sistema capaz de reconhecer alguém e relacionar sua identidade a informações disponíveis em diferentes bancos de dados.

É justamente essa possibilidade que transforma o recurso em um problema delicado de privacidade.

A situação ganhou ainda mais atenção após surgirem informações de que a Meta obteve licença para utilizar uma tecnologia relacionada desenvolvida por uma empresa que possui entre seus clientes órgãos militares e forças policiais dos Estados Unidos.

Elementos desse software também teriam sido incorporados ao Meta AI.

Tecnologia preocupa especialistas em privacidade

Organizações de defesa dos direitos digitais acompanham atentamente o desenvolvimento dessas ferramentas.

O Centro para Democracia e Tecnologia, por exemplo, já demonstrou preocupação com tecnologias de reconhecimento facial integradas a dispositivos inteligentes.

Um dos principais problemas está no possível uso indevido dessas informações. Pessoas em situações vulneráveis poderiam enfrentar riscos maiores caso alguém conseguisse identificá-las rapidamente utilizando apenas uma câmera.

Isso poderia ser particularmente preocupante em situações envolvendo perseguição, assédio ou violência.

Também existe uma questão mais ampla: quem está sendo identificado pode simplesmente não saber que isso está acontecendo.

Óculos inteligentes tornam esse cenário especialmente complexo porque suas câmeras são muito menos perceptíveis do que um smartphone apontado diretamente para alguém.

Uma patente não significa que o produto será lançado

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© Dima Solomin – Unsplash

Apesar das preocupações, é importante separar o desenvolvimento experimental de um lançamento comercial.

Grandes empresas de tecnologia registram milhares de patentes relacionadas a produtos que nunca chegam ao mercado. Portanto, o documento não confirma que futuros óculos inteligentes da Meta terão reconhecimento facial.

Ainda assim, a patente mostra que a companhia continua considerando essa possibilidade.

A Meta aposta cada vez mais em dispositivos vestíveis combinados com inteligência artificial, câmeras e assistentes capazes de interpretar o ambiente ao redor do usuário. Nesse contexto, reconhecer objetos, lugares e eventualmente pessoas poderia ampliar significativamente as capacidades desses aparelhos.

Por outro lado, identificar automaticamente seres humanos representa uma fronteira muito mais sensível.

Se a Meta decidir transformar essas pesquisas em um recurso comercial, a empresa provavelmente terá que enfrentar não apenas obstáculos técnicos, mas também uma discussão muito maior sobre consentimento, segurança e privacidade.

A tecnologia para reconhecer rostos em tempo real está avançando. A questão agora é determinar até que ponto queremos que os óculos que usamos também saibam exatamente para quem estamos olhando.

 

[ Fonte: La Razón ]

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