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Quem cuida da Amazônia? Entenda quem protege o “pulmão do planeta”

Oito países da América do Sul compartilham a responsabilidade de preservar a Amazônia, mas os conflitos e interesses econômicos tornam a tarefa cada vez mais complexa. Enquanto o desmatamento avança, organizações internacionais e governos correm contra o tempo para evitar o ponto de não retorno.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma riqueza que une e divide

Amazonia
© Waren Brasse – Unsplash

O rio Amazonas nasce no Peru, corta a Colômbia e atravessa o Brasil antes de desaguar no Atlântico, tocando ao todo oito países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Essa extensão torna a preservação um desafio geopolítico e, ao mesmo tempo, um ponto de tensão territorial, como ocorreu recentemente no conflito entre Peru e Colômbia pela ilha Santa Rosa.

Apesar das disputas, há esforços conjuntos para enfrentar as ameaças ambientais. O principal órgão responsável por essa cooperação é a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), criada para unir os países na criação de estratégias de proteção.

“O trabalho da OTCA é evitar que a Amazônia chegue ao ponto de não retorno, promovendo o desenvolvimento sustentável e envolvendo povos indígenas, comunidades locais e sociedade civil”, explica Edith Paredes, diretora administrativa da organização.

Desafios comuns: desmatamento, queimadas e garimpo

Para o Greenpeace, a coordenação regional é essencial. “Todos os países enfrentam os mesmos problemas: desmatamento, mineração ilegal e incêndios florestais. A proteção precisa ser feita de forma conjunta”, afirma Rômulo Batista, porta-voz da ONG no Brasil.

A Amazônia tem papel central no equilíbrio climático global: regula chuvas, armazena carbono e abriga a maior biodiversidade do planeta. No entanto, a pressão por terras agrícolas, extração de minérios e exploração de petróleo continua impulsionando taxas de degradação alarmantes.

Brasil no centro das atenções

Huella No Brasil 1
© Unsplash – Hans Luiggi.

Com 60% da Amazônia em seu território, o Brasil tem papel decisivo. Em 2024, durante a Cúpula da Amazônia, os oito países amazônicos assinaram um documento baseado em proposta brasileira que pressiona as nações desenvolvidas a cumprirem compromissos financeiros para combater a crise climática.

O texto também prevê a criação de um Centro de Cooperação Policial Internacional para combater crimes ambientais e coordenar ações de fiscalização. Mas os desafios econômicos permanecem: “Precisamos de um modelo de economia criativa, que valorize a biodiversidade de forma sustentável e ofereça alternativas de renda para quem vive na floresta”, defende Batista.

O risco do ponto de não retorno

O maior alerta dos cientistas é a possibilidade de atingir o chamado ponto de não retorno — quando a perda de 20% a 25% da floresta tornaria impossível sua regeneração natural. Isso alteraria drasticamente o regime de chuvas, aumentaria as temperaturas e teria impacto global.

Hoje, estima-se que o desmatamento da Amazônia já esteja entre 14% e 17%, sem contar as áreas de floresta degradada. Se a tendência continuar, a crise climática se tornará irreversível.

A Declaração de Belém e a COP30

Em 2023, os países da OTCA assinaram a Declaração de Belém, que fortalece a cooperação regional e coloca a preservação da Amazônia como prioridade. A iniciativa ganha ainda mais peso com a realização da COP30, marcada para 2025 em Belém (PA).

Segundo Edith Paredes, o novo mandato da OTCA estabelece “um chamado à ação”, envolvendo a sociedade civil, comunidades indígenas e compromissos nacionais para integrar a Amazônia às agendas climáticas globais.

O impasse financeiro

Apesar dos avanços diplomáticos, a falta de recursos ameaça a efetividade das iniciativas. Para Alicia Guzmán, especialista em finanças climáticas, o problema vai além da região: “Os países amazônicos dependem economicamente da exploração de petróleo, ouro e carne, mas não existe um compromisso global para compensar essas perdas e reduzir emissões. Preservar a Amazônia não é responsabilidade só da OTCA; é um dever do mundo”.


A preservação da Amazônia envolve ciência, política, economia e diplomacia. Apesar dos esforços da OTCA e de avanços como a Declaração de Belém, o desafio é gigantesco: equilibrar desenvolvimento, justiça climática e proteção ambiental antes de atingir o ponto de não retorno.

 

[ Fonte: DW ]

 

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