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Ciência

Radiatividade no espaço: o que a ciência descobriu além dos mitos de super-heróis

Apesar do que mostram os quadrinhos, a radiação cósmica não transforma ninguém em super-humano. Mas seus efeitos no corpo são reais — e desafiadores. Pesquisas recentes revelam como essa força invisível impacta quem vive em grandes altitudes, voa com frequência ou sonha em viajar para Marte.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Nos filmes e HQs, a radiação cósmica é fonte de poderes extraordinários. Mas no mundo real, ela representa um dos maiores desafios para a saúde humana e a exploração espacial. Um artigo da National Geographic, com base em estudos atuais, mostra o que a ciência já sabe sobre esse fenômeno invisível, mas poderoso — e por que ele exige soluções urgentes para que possamos viajar com segurança além da Terra.

O que é, de fato, a radiação cósmica?

Vindas de explosões de supernovas, tempestades solares e outros eventos extremos no universo, as partículas da radiação cósmica viajam em velocidades próximas à da luz. Embora parte delas seja bloqueada pela atmosfera e pelo campo magnético da Terra, algumas conseguem atravessar essas barreiras naturais e atingir a superfície do planeta.

De acordo com a National Geographic, uma pessoa recebe, em média, 3 milisieverts de radiação cósmica por ano ao nível do mar. Esse valor aumenta em altitudes elevadas, como em cidades montanhosas ou durante voos frequentes — mas, para a maioria da população, esses níveis ainda são considerados seguros.

Voar demais pode aumentar sua exposição

Em altitudes acima de 10 mil metros, a atmosfera se torna mais fina e permite a passagem de mais partículas cósmicas. Um voo internacional longo pode equivaler à exposição de um exame de raio-X de tórax. Para pilotos e comissários, a radiação acumulada ao longo de anos de trabalho chega a se aproximar dos níveis enfrentados por trabalhadores de usinas nucleares — embora continue dentro dos limites considerados de baixo risco.

Exposições prolongadas podem aumentar o risco de câncer, provocar alterações genéticas e problemas reprodutivos. Há também estudos que associam a radiação à diminuição da neurogênese, o processo de formação de novas células no cérebro.

Missões Espaciais1
© Foro Nuclear

O desafio nas missões espaciais

Fora da Terra, o risco se multiplica. Na Estação Espacial Internacional, os astronautas recebem em uma semana a mesma dose que alguém na Terra recebe em um ano inteiro. Uma viagem a Marte poderia expor a tripulação a uma radiação dez vezes maior do que a registrada em missões orbitais.

Por isso, cientistas e engenheiros desenvolvem alternativas como naves com escudos especiais, refúgios subterrâneos em Marte e até medicamentos para reduzir os danos celulares. Segundo o astrofísico Dimitra Atri, a radiação cósmica é um obstáculo complexo que exige colaboração entre várias áreas da ciência.

Nem superpoderes, nem ficção: só ciência

A radiação cósmica não vai transformar ninguém no próximo Quarteto Fantástico. Mas seu impacto real no corpo humano é um lembrete de que, para conquistar o espaço com segurança, será preciso muito mais do que imaginação — será preciso ciência, tecnologia e inovação.

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