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Tecnologia

Robôs já dominam o tráfego da internet e humanos deixam de ser maioria, aponta levantamento

Sistemas automatizados já respondem por mais da metade do tráfego da web em determinados levantamentos. Inteligência artificial acelera transformação que desafia empresas, sites e usuários.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A internet está passando por uma mudança silenciosa: cada vez mais acessos são realizados por programas automatizados, e não por pessoas navegando em seus computadores ou celulares. Levantamentos recentes mostram que os bots já superaram os humanos em parte das medições do tráfego mundial. Impulsionada pela inteligência artificial, essa transformação levanta dúvidas sobre segurança, publicidade e até sobre o futuro dos sites que conhecemos.

Bots já representam mais da metade do tráfego da internet

Durante décadas, a internet foi construída principalmente para atender pessoas. Hoje, porém, uma parcela crescente das solicitações recebidas pelos servidores vem de sistemas automatizados.

Segundo o relatório 2026 Bad Bot Report, da empresa de cibersegurança Thales, os bots foram responsáveis por 53% do tráfego analisado em 2025, enquanto os humanos representaram 47%.

Os números mostram uma inversão na composição das atividades digitais. Entretanto, isso não significa que existam mais robôs do que pessoas conectadas.

O levantamento mede requisições feitas a servidores, não a quantidade de usuários individuais. Um único programa automatizado pode realizar milhares de solicitações em poucos segundos.

Outras empresas encontram proporções diferentes, dependendo das redes monitoradas e dos critérios de classificação.

A Cloudflare, por exemplo, também identificou períodos em que sistemas automatizados ultrapassaram a atividade humana, embora outras de suas medições apresentem percentuais menores.

Portanto, a afirmação de que apenas quatro em cada dez acessos são humanos deve ser entendida como uma estimativa específica, e não como uma proporção universal de toda a internet.

O que são bots e por que eles estão por toda parte?

Robôs já dominam o tráfego da internet e humanos deixam de ser maioria, aponta levantamento
© Getty Images – Unsplash

Bots são programas capazes de executar tarefas automaticamente, sem exigir a intervenção constante de uma pessoa.

Eles não são necessariamente perigosos. Na verdade, muitos serviços fundamentais da internet dependem deles.

Os mecanismos de busca utilizam robôs para descobrir páginas e atualizar seus resultados. Empresas empregam sistemas semelhantes para monitorar preços, verificar o funcionamento de sites e identificar ameaças digitais.

O problema aparece quando essa automação é utilizada para atividades maliciosas.

Alguns bots tentam invadir contas, coletar informações pessoais, produzir acessos fraudulentos ou sobrecarregar servidores.

O relatório da Thales indica que 40% do tráfego analisado correspondeu a bots classificados como maliciosos, um percentual que evidencia a dimensão do desafio para a segurança digital.

Inteligência artificial acelerou a invasão dos robôs

A popularização dos agentes de inteligência artificial está transformando a maneira como os sites recebem visitantes.

Esses programas conseguem pesquisar informações, comparar produtos, consultar documentos e executar tarefas em nome dos usuários.

Enquanto uma pessoa pode abrir cinco páginas para pesquisar uma passagem aérea, um agente de IA consegue consultar centenas de resultados automaticamente.

A Cloudflare informou que as solicitações diárias realizadas por agentes de inteligência artificial em sua rede cresceram mais de 1.700% em um ano.

Essa expansão também traz dificuldades para empresas que dependem de visitas humanas para gerar receitas.

Um sistema automatizado pode consumir o conteúdo de uma página sem visualizar anúncios, contratar assinaturas ou realizar compras.

A internet pode ficar mais vulnerável à desinformação?

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© Pexels

O crescimento dos bots também levanta preocupações sobre a autenticidade das interações nas redes sociais.

Programas automatizados podem criar publicações, distribuir mensagens e simular engajamento em grande escala.

Quando utilizados para manipulação, esses sistemas conseguem produzir uma falsa impressão de popularidade, fazendo determinados conteúdos parecerem mais relevantes do que realmente são.

A inteligência artificial amplia essas possibilidades ao permitir a geração de textos, imagens e comentários em poucos segundos.

Entretanto, é importante distinguir o tráfego automatizado legítimo de campanhas coordenadas de desinformação. O crescimento dos bots não significa que todas as interações digitais sejam falsas.

Como será a internet dominada por máquinas?

A transformação obriga empresas de tecnologia a repensar suas ferramentas de proteção e seus modelos de negócios.

Sistemas de segurança precisarão identificar não apenas se um visitante é humano ou automatizado, mas também qual é sua finalidade.

Ao mesmo tempo, sites poderão estabelecer regras específicas para agentes de IA, rastreadores de mecanismos de busca e programas utilizados no treinamento de modelos.

Para os usuários, a mudança pode trazer vantagens, como pesquisas mais rápidas e serviços automatizados. Mas também exige atenção à privacidade, à confiabilidade das informações e à segurança das contas.

A internet não está ficando sem pessoas. O que está mudando é a quantidade de atividades realizadas por máquinas em nome delas ou sem sua participação.

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