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Ciência

Dias nublados podem afetar seu humor e sono — entenda o papel da luz

Menos luz natural durante os dias nublados pode alterar o relógio biológico, afetando o humor, a disposição e a qualidade do sono.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma sequência de dias cinzentos pode trazer mais do que vontade de ficar debaixo das cobertas. A redução da luminosidade interfere nos sinais que ajudam o organismo a organizar o sono, a disposição e o estado de alerta. O tema ganha atenção diante das chuvas associadas ao El Niño em partes da América do Sul, mas a relação entre luz e bem-estar vai além de qualquer fenômeno climático específico.

Como a luz ajuda o corpo a marcar as horas

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© Pexels

O organismo acompanha um ciclo de aproximadamente 24 horas, conhecido como ritmo circadiano. Ele participa da organização de mudanças físicas, mentais e comportamentais ao longo do dia.

Segundo o Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais dos Estados Unidos, a alternância entre luz e escuridão representa a principal influência sobre esses ritmos. Alimentação, atividade física, estresse e ambiente social também participam desse ajuste. Por isso, o funcionamento do relógio biológico depende de vários sinais, embora a luminosidade tenha um papel central.

A luz recebida pelos olhos ajuda o cérebro a reconhecer o período diurno. Já a escuridão participa da sinalização que prepara o corpo para dormir, incluindo a regulação da melatonina, hormônio relacionado ao sono.

Em entrevista ao Infobae, o pesquisador argentino Diego Golombek explicou que a luz das primeiras horas do dia contribui para sincronizar o organismo. Esse alinhamento favorece a disposição durante o dia e o descanso noturno.

O tempo chuvoso também pode mudar a rotina. Menos caminhadas, encontros e atividades ao ar livre reduzem oportunidades de movimento e convivência. Assim, o desânimo pode envolver tanto fatores biológicos quanto mudanças de comportamento.

O que serotonina e melatonina têm a ver com isso

A relação entre luminosidade e humor envolve mecanismos que os cientistas ainda investigam. Entre eles estão a serotonina, que participa da regulação do humor, e a melatonina.

O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos explica que pessoas com transtorno afetivo sazonal podem apresentar alterações nesses sistemas. No padrão de inverno, pesquisas associam a menor duração da luz diurna a mudanças na atividade da serotonina. Alguns estudos também apontam maior produção de melatonina, relacionada à sonolência excessiva.

Essas observações não permitem concluir que qualquer dia nublado provoque uma alteração hormonal capaz de causar depressão. Os mecanismos descritos dizem respeito, sobretudo, a pessoas com vulnerabilidade ao transtorno sazonal.

A vitamina D também aparece nessa discussão porque o organismo a produz com a exposição da pele à luz solar. Entretanto, a evidência sobre suplementos como tratamento para depressão sazonal apresenta resultados mistos.

Quando o desânimo merece atenção

Depressão
© Ken Stocker

Sentir menos disposição durante uma semana chuvosa não basta para identificar transtorno afetivo sazonal. Essa condição envolve episódios de depressão que seguem um padrão recorrente ligado às estações.

De acordo com a Mayo Clinic, a forma mais comum começa no outono ou no inverno e melhora na primavera ou no verão. Os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse, cansaço, dificuldade de concentração, sono excessivo e mudanças no apetite. Existe também um padrão menos frequente associado aos meses quentes.

As causas específicas permanecem desconhecidas. Portanto, atribuir esses sintomas apenas ao clima pode atrasar a identificação de outros problemas. Se o desânimo persiste por vários dias ou prejudica atividades habituais, uma avaliação profissional ajuda a esclarecer o quadro.

O tratamento pode envolver psicoterapia, antidepressivos e, em casos indicados, fototerapia. Essa técnica utiliza equipamentos específicos de luz e requer orientação, especialmente para pessoas com determinadas doenças oculares ou que usam medicamentos que aumentam a sensibilidade à luminosidade. A escolha depende dos sintomas e do histórico de cada paciente.

 

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