O cometa Halley marcou gerações e ainda desperta uma pergunta: quando poderemos vê-lo novamente? A próxima passagem pelo interior do Sistema Solar está prevista para 2061. Conhecido oficialmente como 1P/Halley, ele leva cerca de 76 anos para completar uma volta ao redor do Sol. Seu retorno permitirá acompanhar um visitante que faz parte dos registros humanos há mais de dois milênios.
O retorno do Halley está previsto para 2061

Segundo a NASA, o próximo periélio do Halley, nome dado ao ponto de maior aproximação do Sol, está previsto para 28 de julho de 2061. Essa data indica uma etapa de sua órbita, e não um único dia em que será possível observá-lo.
A agência aponta uma configuração favorável para a observação nessa passagem, pois a Terra e o cometa estarão do mesmo lado do Sol. Em dezembro de 2023, o Halley alcançou a região mais distante de sua trajetória e começou o longo percurso de volta ao interior do Sistema Solar.
Sua órbita tem um formato bastante alongado. Em uma extremidade, ele passa mais perto do Sol do que Vênus. Na outra, alcança distâncias que ultrapassam a órbita de Netuno.
Embora os 76 anos sejam uma referência conhecida, o intervalo entre as visitas varia. A influência gravitacional dos planetas modifica sua trajetória, fazendo com que algumas voltas demorem mais do que outras.
O astrônomo que percebeu que o visitante voltaria
O nome do cometa homenageia Edmond Halley, responsável por reconhecer uma ligação entre aparições que pareciam independentes.
Em 1705, o astrônomo utilizou as ideias de Isaac Newton sobre gravitação para analisar observações de cometas registrados em 1531, 1607 e 1682. As semelhanças entre suas órbitas indicavam que os três poderiam ser o mesmo objeto.
Halley previu que aquele visitante retornaria em 1758. Ele morreu antes de acompanhar o resultado, mas a previsão se confirmou. O episódio ajudou a demonstrar que alguns cometas percorrem órbitas que os trazem de volta periodicamente.
O que a passagem de 1986 revelou

A última visita trouxe uma oportunidade inédita de investigação. Uma frota internacional de sondas acompanhou o Halley, incluindo a missão europeia Giotto.
Conforme os registros da Agência Espacial Europeia, a Giotto passou a apenas 596 quilômetros do núcleo na madrugada de 14 de março de 1986. Suas imagens revelaram um corpo extremamente escuro, irregular e semelhante a uma batata, com cerca de 15 quilômetros de comprimento.
A sonda mostrou que o núcleo lançava jatos de gás e poeira a partir de regiões ativas. O encontro permitiu estudar de perto a estrutura que permanecia escondida nas observações feitas a grandes distâncias.
Não é preciso esperar até 2061 para encontrar seus vestígios
Mesmo distante, o Halley mantém uma ligação anual com o céu terrestre. Duas chuvas de meteoros surgem quando nosso planeta atravessa rastros de partículas deixadas pelo cometa.
As Eta Aquáridas ocorrem em maio, enquanto as Oriônidas aparecem em outubro. Esses eventos oferecem uma maneira de observar vestígios de sua trajetória durante o longo intervalo entre as passagens.
O cometa só retornará em 2061, mas os fragmentos que deixou pelo caminho continuam produzindo espetáculos vistos da Terra todos os anos.