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Rússia corta chamadas no WhatsApp e Telegram: o que está por trás da medida?

O governo russo restringiu parcialmente as chamadas de voz no WhatsApp e no Telegram, alegando razões de segurança e combate ao terrorismo. A decisão, porém, levanta suspeitas de que se trata de mais um passo para ampliar o controle sobre a internet e forçar a adoção de um aplicativo “nacional”, supervisionado de perto por Moscou.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O WhatsApp e o Telegram, os dois mensageiros mais populares da Rússia, entraram novamente na mira do Kremlin. Autoridades anunciaram restrições às chamadas de áudio, justificando a decisão como parte da luta contra o crime e o terrorismo. Mas especialistas alertam: por trás da retórica de segurança, o movimento parece ampliar o controle digital e preparar terreno para um substituto doméstico.

Restrição sob o pretexto de segurança

Russia Restringe Chamadas
© X – @Metropoles

O regulador de comunicações Roskomnadzor afirmou que as restrições foram motivadas por pedidos de autoridades e denúncias de cidadãos. Segundo o órgão, criminosos e grupos extremistas estariam usando chamadas de voz nos aplicativos para aplicar golpes, extorquir dinheiro e recrutar russos em atividades de sabotagem e terrorismo.

Ainda de acordo com o comunicado, os responsáveis pelos mensageiros teriam ignorado solicitações oficiais para adotar contramedidas. A medida se restringe, por ora, às chamadas de áudio, mas deixou milhões de usuários sem saber se o bloqueio pode se estender a outras funções.

Reação das plataformas

O WhatsApp, em nota, disse que resiste a tentativas de governos de violar o direito à comunicação segura. Para a empresa, as restrições são um esforço deliberado de Moscou para minar a privacidade de mais de 100 milhões de russos que dependem do aplicativo.

Já o Telegram, que já havia enfrentado tentativas de bloqueio entre 2018 e 2020, não comentou oficialmente, mas usuários relatam dificuldades crescentes para realizar chamadas.

O cerco digital do Kremlin

O endurecimento não é um episódio isolado. Desde 2022, após a invasão da Ucrânia, o governo bloqueou redes sociais como Facebook e Instagram, proibindo inclusive a empresa Meta, classificada como “extremista”. Mais recentemente, ampliou cortes de internet móvel sob a justificativa de frustrar ataques de drones ucranianos.

Paralelamente, aprovou leis que criminalizam a busca por conteúdos considerados ilícitos e deu mais poder às autoridades para monitorar o tráfego digital. Especialistas veem uma estratégia clara: consolidar um ecossistema online sob vigilância estatal.

Popularidade sob ameaça

Segundo a consultoria Mediascope, o WhatsApp tinha em julho mais de 96 milhões de usuários mensais na Rússia, seguido de perto pelo Telegram, com 89 milhões. Esses números explicam a resistência do governo em conviver com plataformas estrangeiras fora de seu controle direto.

Nos últimos meses, relatos de falhas em chamadas circularam na mídia russa, alimentando especulações de que o bloqueio já vinha sendo testado. Legisladores ligados ao Kremlin chegaram a declarar que o WhatsApp deveria “se preparar para sair do mercado russo”.

A aposta em um mensageiro nacional

O governo não esconde seu plano de substituição. A aposta atende pelo nome de MAX, desenvolvido pela empresa de mídia social russa VK. A plataforma, lançada em versão beta em julho, promete reunir mensagens, serviços públicos, pagamentos e redes sociais em um só ambiente.

Mais de 2 milhões de pessoas se inscreveram nos testes, mas a adesão ainda é tímida diante da base massiva de WhatsApp e Telegram. Um detalhe crucial: os termos de uso deixam claro que dados dos usuários podem ser compartilhados com autoridades mediante solicitação. Além disso, uma lei recém-aprovada exige que o aplicativo venha pré-instalado em todos os smartphones vendidos no país.

O futuro das comunicações digitais na Rússia

A medida reflete uma tendência: a construção de uma internet sob forte vigilância estatal. Enquanto WhatsApp e Telegram resistem, a pressão cresce para que usuários, empresas e órgãos públicos migrem para o MAX.

Autoridades afirmam que o acesso às chamadas poderá ser restabelecido se as plataformas “cumprirem a legislação russa”. Mas, na prática, a mensagem é clara: o espaço para aplicativos estrangeiros está cada vez mais limitado.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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