A morte da brasileira Juliana Marins, de 24 anos, durante uma trilha na Indonésia, segue cercada de dúvidas. Mesmo após uma primeira autópsia no exterior, a família solicitou um novo exame no Brasil. A decisão judicial autorizou o procedimento, realizado no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. No entanto, especialistas alertam: repetir uma necropsia em casos assim é raro — e os resultados podem ser limitados e inconclusivos.
Uma segunda autópsia incomum

Juliana Marins foi encontrada morta no vulcão Rinjani, na Indonésia, após dias desaparecida durante uma trilha. Seu corpo foi submetido a um primeiro exame fora do Brasil, que apontou trauma torácico com hemorragia interna como causa da morte. Agora, oito dias após o resgate, uma nova autópsia foi realizada no Instituto Médico Legal do Rio, a pedido da família.
Segundo a médica Carla Abgussen, do Núcleo de Tanatologia Forense do IML de São Paulo, esse tipo de repetição é raro. “Toda morte por causa externa ocorrida no exterior deve passar por exame necroscópico. Mas não é comum fazer-se uma nova necropsia no país de origem”, afirmou em entrevista à CNN.
Protocolos distintos e limites práticos
Apesar de existirem diretrizes internacionais, Carla explica que cada país segue seus próprios protocolos para esse tipo de investigação forense. “Existe um padrão geral, mas os países têm autonomia para definir seus procedimentos, o que pode gerar discrepâncias entre laudos”, pontuou.
A nova autópsia, portanto, surge em um contexto de incertezas e busca por mais respostas — mas chega com sérias limitações técnicas, segundo especialistas.
Embalsamamento e interferências
A médica legista Caroline Daitx explicou que a nova necropsia enfrenta obstáculos consideráveis, especialmente devido ao embalsamamento do corpo e à manipulação prévia dos órgãos. “A primeira necropsia já alterou a disposição anatômica interna, e o embalsamamento compromete definitivamente os tecidos. Isso inviabiliza análises cruciais, como o volume de sangue perdido, que poderia ajudar a entender a dinâmica da morte”, afirmou.
Daitx também alerta que o novo exame dificilmente conseguirá determinar a data exata da morte, uma lacuna deixada pelo primeiro laudo. O intervalo de tempo e o estado do corpo tornam qualquer estimativa nesse sentido altamente imprecisa.
Restrições e expectativas
Diante desses fatores, as médicas ouvidas pela CNN foram unânimes ao destacar que a segunda autópsia tem um escopo técnico restrito. O procedimento pode auxiliar na checagem de alguns pontos, mas dificilmente oferecerá uma reconstituição completa dos últimos momentos de Juliana.
A busca da família por respostas é legítima — e compreensível. No entanto, os limites impostos pelas condições do corpo e pelos procedimentos anteriores podem frustrar expectativas. Em casos assim, a ciência forense enfrenta obstáculos que nem sempre são possíveis de contornar.
[ Fonte: CNN Brasil ]