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Ciência

Supercolônia de formigas sul-americanas se estende por 6.000 km na Europa

Originária da América do Sul, a formiga-argentina conseguiu formar uma gigantesca rede de colônias que atravessa Portugal, Espanha, França e Itália.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma pequena formiga originária da América do Sul protagoniza uma das invasões biológicas mais impressionantes do planeta. A Linepithema humile, conhecida como formiga-argentina, conseguiu se espalhar por diversos continentes e formar supercolônias gigantescas. Na Europa, uma dessas populações se estende por aproximadamente 6.000 quilômetros.

Originalmente encontrada no nordeste da Argentina e em outras regiões da América do Sul, a espécie também está presente naturalmente em países como Paraguai, Bolívia, Uruguai e Brasil. Com a ajuda involuntária dos humanos, porém, ela atravessou oceanos e hoje pode ser encontrada em praticamente todos os continentes, com exceção da Antártida.

A expansão europeia é particularmente impressionante. Ao longo da costa mediterrânea e atlântica, populações geneticamente e socialmente relacionadas formaram uma enorme supercolônia que atravessa Portugal, Espanha, França e Itália.

Formigueiros podem se transformar em verdadeiras cidades subterrâneas

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

As formigas estão entre os animais mais eficientes na construção de estruturas subterrâneas. Seus ninhos podem reunir túneis, câmaras de armazenamento, áreas destinadas às larvas e espaços utilizados para diferentes atividades da colônia.

O entomologista Richard Jones, especialista no estudo de insetos e outros artrópodes, analisou algumas dessas estruturas para a revista Discover Wildlife. Segundo o especialista, determinados formigueiros podem alcançar dimensões surpreendentes.

Outras espécies também são capazes de criar verdadeiras cidades abaixo do solo. A formiga-amarela-dos-prados, por exemplo, constrói ninhos protegidos pela vegetação e por materiais orgânicos acumulados no ambiente.

Na América do Sul e Central, as formigas-cortadeiras oferecem exemplos ainda mais impressionantes. Algumas espécies constroem redes interligadas de túneis e câmaras utilizadas como abrigo, armazenamento e cultivo dos fungos que servem de alimento para a colônia.

Estudos dessas estruturas indicam que alguns ninhos podem ocupar uma área comparável à de uma quadra de tênis.

Cientistas revelaram o tamanho de formigueiros usando materiais líquidos

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© Lucas Pezeta – Pexels

Uma das técnicas utilizadas para estudar essas construções consiste em despejar materiais líquidos, como gesso ou compostos semelhantes, dentro da entrada de um formigueiro abandonado. O material percorre os túneis, endurece e cria uma espécie de molde tridimensional da estrutura.

Depois, pesquisadores escavam cuidadosamente o terreno ao redor.

O resultado permite visualizar a complexidade da construção escondida no subsolo. Algumas dessas redes podem ocupar volumes comparáveis aos de pequenos veículos recreativos e abrigar colônias formadas por milhões de indivíduos.

Em determinados casos, estima-se que uma única colônia possa reunir até seis milhões de formigas.

Mas a Linepithema humile conseguiu levar a organização coletiva a uma escala completamente diferente.

Uma supercolônia de formigas atravessa quatro países europeus

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© Abdul Zukki – Unsplash

A formiga-argentina se tornou uma das espécies invasoras mais bem-sucedidas do mundo. Além da América do Norte, populações foram estabelecidas em regiões da Europa, Japão, Austrália e África do Sul.

Um dos segredos desse sucesso está no comportamento social da espécie.

Normalmente, formigas pertencentes a colônias diferentes reconhecem umas às outras como rivais e podem entrar em confrontos territoriais. Entre determinadas populações invasoras da Linepithema humile, entretanto, essa agressividade praticamente desaparece.

Isso permite que ninhos diferentes cooperem e funcionem como partes de uma enorme rede.

Na Europa, esse fenômeno resultou em uma supercolônia que acompanha aproximadamente 6.000 quilômetros do litoral, passando por Portugal, Espanha, França e Itália.

É importante destacar que isso não significa a existência de um único formigueiro contínuo com túneis subterrâneos ligando todos esses países. Trata-se de uma enorme rede de colônias relacionadas, cujas formigas apresentam pouca ou nenhuma agressividade entre si e podem funcionar como integrantes de uma mesma população.

A escala é difícil de imaginar. Para comparação, 6.000 quilômetros representam aproximadamente a distância em linha reta entre Washington, nos Estados Unidos, e Madri, na Espanha.

Uma rede gigantesca construída por insetos que medem apenas alguns milímetros — e que começou sua expansão global a partir da América do Sul.

 

[ Fonte: El País ]

 

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