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Ciência

Superdotação, TDAH e autismo podem compartilhar traços parecidos: O desafio de identificar o que há por trás do comportamento

Entender como cada condição se manifesta — e como podem coexistir — é essencial para garantir uma avaliação mais precisa e um acompanhamento mais eficaz.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Sensibilidade, desatenção, organização rígida, hiperfoco, inteligência acima da média… Quando todos esses traços aparecem juntos, pode ser difícil entender o que está realmente acontecendo com a mente de alguém. Segundo o psicólogo Jean Alessandro, especialista em altas habilidades, confundir superdotação com TDAH ou autismo é mais comum do que parece — e o diagnóstico exige mais do que uma bateria de testes.

Semelhanças que confundem, diferenças que esclarecem

Superdotação, TDAH e autismo podem compartilhar traços parecidos: O desafio de identificar o que há por trás do comportamento
© Pexels

Durante entrevista no programa Mapa Mental, do canal GainCast, Jean explicou por que essas três condições — superdotação, TDAH e autismo — podem ser facilmente confundidas. Em comum, elas compartilham sinais como sensibilidade sensorial, dificuldade na adaptação escolar e reações emocionais intensas. No entanto, os mecanismos por trás desses comportamentos são bastante diferentes.

No TDAH, por exemplo, há uma busca constante por novidades e dificuldade em manter o foco em tarefas longas. O hiperfoco existe, mas é breve e volátil. Já no autismo, o hiperfoco é persistente: “Por décadas a pessoa pode estudar o mesmo assunto”, explica Jean. Além disso, autistas tendem a preferir rotinas estruturadas e previsíveis, o que os acalma diante da ordem.

Enquanto isso, pessoas com TDAH geralmente convivem com certa desorganização externa, ainda que muitas se forcem a manter alguma estrutura usando agendas ou ferramentas de planejamento.

Quando os mundos colidem: a sobreposição entre condições

O desafio se intensifica quando essas condições coexistem em um mesmo indivíduo. “Se o TDAH puxa para novidade e o autismo para a ordem, como fica a vida da pessoa? Fica complicado”, aponta Jean. Isso significa que, mesmo com inteligência acima da média, o funcionamento mental pode se tornar confuso e desgastante.

Ele alerta ainda para o risco de diagnósticos mal conduzidos, principalmente quando os instrumentos de avaliação não são adaptados à realidade da pessoa. “Às vezes recebo laudos enormes, mas percebo, em uma hora de conversa, que aspectos importantes foram ignorados”, critica.

Para ele, o autoconhecimento é uma ferramenta essencial nesse processo. Jean sugere que a pessoa registre diariamente suas percepções — por meio de diários ou aplicativos de voz — como forma de mapear seus próprios padrões mentais e emocionais. “Muita gente não percebe nem quando está em crise de ansiedade”, afirma.

Entre os traços mais comuns entre superdotados, Jean destaca o perfeccionismo, a autocrítica constante e uma forte sensibilidade ética e moral — elementos que, quando mal compreendidos, podem ser confundidos com outros transtornos.

Em resumo, compreender as nuances entre essas condições e como elas podem interagir é fundamental para um diagnóstico mais justo, eficaz e humano.

[Fonte: Infomoney]

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