As ruas próximas à sede das Nações Unidas, em Nova York, viraram cenário de uma manifestação que reuniu ativistas, políticos e nomes conhecidos de Hollywood. Entre eles estava Susan Sarandon. A atriz de Thelma & Louise e Dead Man Walking acabou detida pela polícia durante um protesto contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, realizado justamente no dia de seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
Susan Sarandon estava entre os manifestantes detidos pela polícia
Susan Sarandon, de 79 anos, foi detida nesta quinta-feira, 24 de setembro, durante uma manifestação nas proximidades da sede da ONU, em Manhattan. Imagens registradas no local mostram agentes do Departamento de Polícia de Nova York retirando a atriz da concentração enquanto outros participantes também eram levados pelas autoridades.
Sarandon não foi a única personalidade conhecida envolvida. Hannah Einbinder, premiada pelo trabalho na série Hacks, também foi detida. Entre os participantes estavam ainda figuras da política local e nacional, incluindo a candidata democrata ao Congresso Darializa Avila Chevalier e o vereador nova-iorquino Chi Ossé.
A manifestação foi organizada pela Jewish Voice for Peace, organização judaica que defende os direitos dos palestinos. Aproximadamente 200 pessoas participaram da mobilização nas proximidades das Nações Unidas.
Os manifestantes ocuparam a via e interromperam o trânsito. A polícia utilizou alto-falantes para ordenar que deixassem o local. Parte do grupo seguiu para as calçadas, enquanto outros permaneceram sentados na rua e continuaram protestando. Foi então que os agentes começaram a retirar participantes individualmente e encaminhá-los para veículos policiais.
A Reuters informou que pelo menos 30 pessoas foram presas, enquanto outras fontes e organizadores apresentaram números superiores ao longo do dia.
O momento escolhido para o protesto não foi coincidência

A mobilização aconteceu enquanto Benjamin Netanyahu estava em Nova York para participar da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Os manifestantes protestavam contra a atuação de Israel em Gaza e contra o apoio militar norte-americano ao país. Algumas das faixas exibidas pediam o fim do envio de armas a Israel, enquanto participantes também entoavam palavras de ordem em defesa dos palestinos.
A localização ajudou a aumentar a visibilidade do ato. A concentração ocorreu a poucas quadras da sede da ONU, onde líderes de diversos países participavam das reuniões da Assembleia Geral.
Dentro do edifício, Netanyahu fez seu discurso diante dos representantes internacionais e defendeu as ações de Israel na região. Durante sua intervenção, dezenas de delegados deixaram o plenário, em mais uma demonstração das fortes divisões internacionais em torno do conflito.
Do lado de fora, os protestos continuaram.
A manifestação da qual Sarandon participou também não era a única prevista para aquele dia. Outros grupos haviam convocado mobilizações em diferentes pontos de Manhattan, incluindo uma marcha que sairia de Bryant Park em direção às proximidades da ONU.
A participação de Susan Sarandon não aconteceu por acaso
A presença da atriz chamou atenção pelo reconhecimento internacional de sua carreira, mas seu envolvimento em manifestações políticas está longe de ser uma novidade.
Sarandon mantém há anos uma atuação pública ligada a diferentes causas sociais e políticas. Nos últimos tempos, ela também participou de protestos relacionados à guerra em Gaza e manifestou publicamente posições favoráveis aos direitos dos palestinos.
A atriz já declarou que suas posições tiveram consequências profissionais. Durante o Festival de Cinema de Veneza, em setembro, afirmou que perdeu trabalhos e enfrentou resistência dentro da indústria cinematográfica por causa de suas manifestações públicas.
Sua detenção em Nova York, portanto, acrescenta um novo episódio a uma trajetória de ativismo que frequentemente ultrapassa os limites de Hollywood.
Desta vez, porém, Sarandon estava acompanhada por outros nomes conhecidos do entretenimento. Além de Hannah Einbinder, veículos norte-americanos registraram a presença ou detenção de personalidades como Chelsea Manning, Caleb Hearon, Debra Winger e Indya Moore.
Uma manifestação que ganhou repercussão muito além das ruas de Manhattan

As imagens das detenções rapidamente circularam pela imprensa e pelas redes sociais. Fotografias mostraram Sarandon sendo conduzida pela polícia, enquanto registros semelhantes mostraram Hannah Einbinder sendo retirada da manifestação.
O episódio reuniu em um mesmo cenário três elementos capazes de ampliar imediatamente sua repercussão: uma estrela de Hollywood, uma manifestação relacionada à guerra em Gaza e o discurso de Netanyahu diante das Nações Unidas.
Mas a mobilização também faz parte de um contexto mais amplo.
As aparições do primeiro-ministro israelense na ONU têm sido acompanhadas por protestos há anos. Em 2026, porém, as manifestações acontecem em meio a um ambiente político particularmente tenso nos Estados Unidos e a um debate crescente sobre o apoio norte-americano a Israel.
Foi nesse cenário que Susan Sarandon deixou os tapetes vermelhos muito longe e voltou a aparecer diante das câmeras por uma razão completamente diferente: sentada em uma rua de Nova York, cercada por manifestantes e, pouco depois, conduzida por policiais.
[Fonte: tvpe]