O futebol voltou a ser palco de disputas que vão além das quatro linhas. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou nesta quinta-feira (2) em Zurique que Israel não será suspenso das competições internacionais, apesar dos pedidos de várias federações para excluir o país por causa da guerra em Gaza.
A medida reforça a posição da entidade de se manter afastada de decisões políticas diretas, mas também revela como o esporte está inevitavelmente entrelaçado aos interesses geopolíticos globais.
O respaldo a Israel

Infantino declarou que a FIFA não irá intervir nas disputas do Oriente Médio e insistiu que a missão do futebol é “promover paz e unidade”. O dirigente destacou que “o futebol não pode resolver problemas geopolíticos, mas pode aproveitar seus valores unificadores”.
A decisão ocorreu a poucos dias de a seleção israelense disputar dois jogos importantes pelas Eliminatórias da Copa de 2026: em 11 de outubro contra a Noruega em Oslo e em 14 de outubro contra a Itália em Udine.
Segundo fontes internas, uma votação na UEFA poderia ter levado à suspensão de Israel, mas a FIFA optou por blindar o país, em linha com o apoio explícito de Estados Unidos e Qatar. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, e o dirigente qatari Nasser al-Khelaifi reforçaram essa posição.
Pressão palestina sem efeito
Paralelamente, o presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, esteve em reuniões na Suíça para reforçar o pedido de exclusão de Israel. No entanto, os apelos não prosperaram.
A ausência de um debate formal dentro da FIFA foi interpretada como sinal de que a entidade não pretende abrir espaço para questionamentos políticos que possam desestabilizar seu calendário ou seus acordos de bastidores.
Espanha ameaça abandonar a Copa
A repercussão da decisão já começa a gerar atritos dentro da própria Europa. A seleção da Espanha, atual campeã continental e líder do ranking FIFA, avalia se retirará sua participação da Copa do Mundo de 2026 caso Israel siga habilitado a jogar.
O governo espanhol pressiona a Real Federação Espanhola de Futebol a endurecer a posição, e nos bastidores já se fala em um possível cenário histórico: a classificação inédita da Geórgia em caso de saída da Espanha, o que mudaria radicalmente o mapa esportivo da competição.
O futebol como palco de poder
Embora Infantino insista que o esporte deve se manter neutro, as decisões da FIFA estão longe de ser apenas técnicas. Ao lado dos Estados Unidos e do Qatar, o órgão mais poderoso do futebol global transmite uma mensagem política clara: Israel seguirá protegido em competições internacionais.
Esse posicionamento evidencia como o futebol reflete os equilíbrios de poder internacional, funcionando como vitrine de alianças e pressões diplomáticas.
Unidade ou divisão?
Para críticos, a FIFA age de forma contraditória ao defender valores de união, mas ignorar demandas legítimas de federações que veem no conflito em Gaza uma razão suficiente para sancionar Israel. Para defensores, a decisão evita a politização extrema do esporte e mantém o calendário esportivo intacto.
De qualquer forma, a polêmica mostra que a ideia de neutralidade é cada vez mais difícil de sustentar: no século XXI, o futebol é também um campo de batalha simbólico das disputas globais.
[ Fonte: Ámbito ]