Com cerca de 26 quilômetros de diâmetro, velocidade de até 60 quilômetros por segundo e um período orbital de 133 anos, o Swift-Tuttle está entre os maiores objetos que passam regularmente pelas proximidades da órbita terrestre. Apesar de não representar ameaça no futuro próximo, seu tamanho faz dele um dos corpos celestes mais monitorados pelos astrônomos.
Como o cometa Swift-Tuttle cria a chuva de meteoros Perseidas

Conhecidas popularmente como “Lágrimas de São Lourenço”, devido à coincidência com a celebração do santo em agosto, as Perseidas costumam atingir picos entre 50 e 100 meteoros por hora.
O espetáculo acontece quando a Terra atravessa a extensa nuvem de poeira e pequenos fragmentos deixada pelo cometa Swift-Tuttle ao longo de sua órbita.
Quando essas partículas entram na atmosfera terrestre em altíssima velocidade, elas se aquecem rapidamente por causa do atrito com o ar e se desintegram, produzindo os riscos luminosos que cruzam o céu durante a noite.
Embora pareçam grandes estrelas cadentes, a maioria desses fragmentos possui apenas o tamanho de um grão de areia ou de pequenas pedras.
Um gigante descoberto no século XIX
O cometa 109P/Swift-Tuttle foi descoberto em 1862 pelos astrônomos Lewis Swift e Horace Parnell Tuttle, que o observaram de forma independente.
Sua passagem mais recente pelas proximidades da Terra ocorreu em dezembro de 1992, quando os cientistas puderam atualizar seus cálculos orbitais e refinar as previsões para futuras aproximações.
De acordo com as estimativas atuais, o cometa voltará a cruzar a região interna do Sistema Solar em 2126, mantendo seu longo ciclo orbital ao redor do Sol.
Um dos maiores cometas próximos da órbita terrestre
O núcleo do Swift-Tuttle possui aproximadamente 26 quilômetros de diâmetro, tornando-se um verdadeiro gigante quando comparado à maioria dos cometas conhecidos.
Seu enorme tamanho também explica a quantidade de material que deixa para trás a cada passagem pelo Sistema Solar interno.
À medida que se aproxima do Sol, o calor faz com que parte do gelo presente no núcleo sublime, liberando gás, poeira e pequenos fragmentos rochosos. Esse material permanece distribuído ao longo da órbita do cometa durante décadas e até séculos.
É justamente essa “estrada” de detritos que a Terra atravessa todos os anos, produzindo a chuva de meteoros.
Velocidade impressionante e uma órbita de 133 anos
Durante sua aproximação máxima do Sol, o Swift-Tuttle pode atingir velocidades próximas de 60 quilômetros por segundo.
Essa enorme velocidade faz com que até partículas extremamente pequenas atinjam a atmosfera terrestre com energia suficiente para gerar os intensos clarões observados durante as Perseidas.
Sua órbita é altamente elíptica e leva cerca de 133 anos para ser completada.
Ao longo desse percurso, o cometa viaja desde as regiões mais distantes do Sistema Solar até cruzar a órbita da Terra antes de retornar novamente às áreas externas.
O Swift-Tuttle representa perigo para a Terra?

Apesar de produzir uma das chuvas de meteoros mais belas do ano, o Swift-Tuttle também desperta atenção por seu potencial destrutivo.
Como sua órbita cruza a da Terra, os astrônomos acompanham continuamente sua trajetória para identificar qualquer alteração causada por interações gravitacionais com os planetas.
As previsões atuais mostram que não existe risco de colisão durante pelo menos o próximo milênio.
Mesmo assim, o objeto permanece entre os corpos celestes monitorados por programas internacionais de defesa planetária, justamente por causa de seu tamanho e de sua órbita.
Uma colisão teria consequências globais
Caso um objeto desse porte atingisse a Terra, as consequências seriam catastróficas.
Modelos computacionais indicam que o impacto liberaria uma quantidade de energia dezenas de vezes superior à do asteroide associado à extinção dos dinossauros, ocorrida há cerca de 66 milhões de anos.
A combinação entre sua enorme massa e sua velocidade extrema poderia provocar incêndios em escala continental, terremotos, tsunamis gigantescos e um longo inverno global causado pela enorme quantidade de poeira lançada na atmosfera.
Embora esse cenário seja extremamente improvável segundo as previsões atuais, o Swift-Tuttle continua sendo um excelente exemplo de como um mesmo objeto pode oferecer dois rostos completamente diferentes: todos os anos proporciona um dos mais belos espetáculos do céu noturno, mas, em teoria, também figura entre os corpos celestes com maior potencial destrutivo do Sistema Solar.
[ Fonte: National Geographic ]