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Ciência

Toxicologista revela os efeitos que as drogas podem provocar no cérebro em desenvolvimento

O primeiro contato com substâncias psicoativas pode provocar mudanças no funcionamento cerebral. Especialistas explicam os riscos durante a adolescência e quais comportamentos merecem atenção das famílias.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A adolescência é uma fase de descobertas, transformações e experiências que ajudam a construir a identidade de uma pessoa. Entretanto, algumas dessas experiências podem representar riscos importantes para a saúde. O primeiro contato com drogas, por exemplo, pode interferir em mecanismos cerebrais envolvidos no prazer, na memória e nas emoções. O que preocupa os especialistas é que essas alterações nem sempre são percebidas imediatamente, especialmente em um cérebro que ainda está amadurecendo.

Por que o cérebro adolescente é mais vulnerável às drogas?

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o cérebro não termina seu desenvolvimento durante a infância.

Na adolescência, estruturas responsáveis pelo planejamento, controle dos impulsos e tomada de decisões continuam passando por importantes transformações.

Esse processo se estende até o início da vida adulta e ajuda a explicar por que os adolescentes podem apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos de determinadas substâncias.

Em entrevista ao Infobae, a médica internista e toxicologista clínica Marta Cuellar explicou que as drogas psicoativas podem interferir nos mecanismos responsáveis pelo prazer, sono, comportamento e regulação emocional.

Essas substâncias atuam sobre a comunicação entre os neurônios, modificando temporariamente a maneira como o cérebro processa informações.

Dependendo da droga, podem surgir alterações na percepção, na coordenação motora, no raciocínio e nas emoções.

Entretanto, experimentar uma substância uma única vez não significa necessariamente desenvolver dependência ou sofrer danos cerebrais permanentes.

Os riscos variam conforme a substância, a quantidade consumida, a frequência de exposição e as características individuais.

O que acontece com a dopamina e o sistema de recompensa?

Uma das principais estruturas afetadas por determinadas drogas é o circuito cerebral de recompensa.

Esse sistema participa de processos relacionados à motivação, ao aprendizado e à busca por experiências consideradas gratificantes.

A dopamina, um neurotransmissor importante nesse mecanismo, ajuda o cérebro a identificar estímulos relevantes e orientar comportamentos.

Algumas drogas, especialmente certos estimulantes, podem provocar aumentos intensos na atividade desse sistema.

Com o consumo repetido, o organismo pode desenvolver adaptações que modificam sua resposta aos estímulos.

Em determinados casos, atividades antes consideradas prazerosas passam a despertar menos interesse, enquanto a busca pela substância ganha maior importância.

Esse processo pode contribuir para o desenvolvimento da dependência, embora não aconteça da mesma maneira com todas as drogas ou com todas as pessoas.

O impacto também depende de fatores genéticos, ambientais e psicológicos.

Maconha, crack e metanfetamina: como cada substância pode afetar o cérebro?

Os efeitos das drogas não são iguais, e compreender essas diferenças é fundamental para avaliar seus riscos.

A maconha, por exemplo, pode prejudicar temporariamente a memória de curto prazo, a atenção, a coordenação motora e a percepção do tempo.

Seu uso frequente durante a adolescência também tem sido associado a dificuldades de aprendizagem e desempenho escolar, embora outros fatores possam influenciar essa relação.

O crack, uma forma de cocaína, apresenta riscos importantes, incluindo agitação intensa, ansiedade e complicações cardiovasculares potencialmente graves.

Já a metanfetamina, também conhecida como cristal, pode provocar insônia, perda de apetite, paranoia e alterações cardíacas.

Em intoxicações graves, algumas dessas substâncias podem desencadear convulsões, perda de consciência e outras emergências médicas.

É importante destacar que os efeitos imediatos de uma intoxicação não devem ser confundidos automaticamente com consequências neurológicas permanentes.

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© Magnific

Quais mudanças de comportamento devem chamar a atenção dos pais?

Identificar possíveis problemas relacionados ao consumo de drogas nem sempre é simples.

Segundo os especialistas, alguns sinais merecem atenção quando aparecem de maneira repentina, persistente ou começam a prejudicar a rotina.

Entre eles estão irritabilidade frequente, alterações importantes no sono, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas.

Isolamento social, conflitos familiares recorrentes e queda acentuada no rendimento escolar também podem indicar que algo precisa ser investigado.

Entretanto, nenhum desses comportamentos comprova, isoladamente, o consumo de drogas.

Mudanças semelhantes podem ocorrer em situações de ansiedade, depressão, dificuldades familiares ou outros problemas emocionais.

Por isso, a recomendação é evitar acusações precipitadas e priorizar conversas acolhedoras, sem julgamentos.

É possível prevenir os riscos e proteger a saúde dos adolescentes?

A prevenção começa com informação confiável e comunicação aberta.

Conversar sobre os efeitos das substâncias, oferecer apoio emocional e manter um ambiente familiar de confiança são medidas importantes.

O acompanhamento psicológico também pode ajudar adolescentes que enfrentam dificuldades emocionais ou apresentam comportamentos de risco.

Quando existem suspeitas de consumo problemático, uma avaliação profissional permite identificar necessidades específicas e orientar o tratamento.

Em casos de convulsões, dificuldade para respirar ou perda de consciência após o uso de substâncias, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente.

A principal mensagem dos especialistas é que as drogas podem alterar o funcionamento cerebral desde a primeira exposição, mas os efeitos duradouros dependem de diferentes fatores.

Compreender essa diferença ajuda a evitar tanto a banalização dos riscos quanto o alarmismo, favorecendo decisões baseadas em evidências científicas.

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