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Transporte público gratuito pode reduzir a inflação e movimentar R$ 45 bilhões no Brasil

Proposta de transporte público gratuito nos fins de semana pode reduzir a inflação e ampliar o consumo das famílias. Especialistas apontam benefícios econômicos, mas alertam para os custos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Brasil pode estar diante de uma mudança importante na mobilidade urbana. Uma proposta anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê transporte coletivo gratuito aos sábados, domingos e feriados a partir de 2027. Além de aliviar o orçamento das famílias, a iniciativa poderia reduzir a inflação em 0,25 ponto percentual e estimular bilhões de reais em consumo. Entretanto, sua implementação depende de aprovação no Congresso e de uma solução para o financiamento do sistema.

Transporte gratuito pode diminuir a inflação brasileira

A proposta apresentada por Lula em 15 de outubro prevê o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para estabelecer a gratuidade no transporte coletivo urbano durante fins de semana e feriados.

A medida foi anunciada durante a campanha presidencial e sua implementação está condicionada à aprovação legislativa e à definição dos recursos necessários.

Segundo o economista Leonardo Costa, da instituição financeira ASA, a mudança poderia reduzir em aproximadamente 0,25 ponto percentual o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A estimativa considera uma queda de 22,4% no componente de ônibus urbano, que representa cerca de 1,116% do índice.

É importante destacar que esse impacto seria pontual, associado à alteração das tarifas, e não uma redução permanente da inflação a cada mês.

Economia pode receber bilhões de reais em consumo adicional

Transporte público gratuito pode reduzir a inflação e movimentar R$ 45 bilhões no Brasil
© ansiveg – Pexels

Outro possível benefício envolve o dinheiro que deixaria de ser gasto com passagens.

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) estima que uma política ampla de tarifa zero poderia liberar aproximadamente R$ 45,6 bilhões por ano para o consumo das famílias.

O cálculo considera os sistemas de transporte das 27 capitais e suas regiões metropolitanas, descontando benefícios e gratuidades que já existem.

O valor poderia ser direcionado para alimentação, moradia, saúde e outros produtos e serviços.

Entretanto, existe uma diferença importante: a estimativa da UnB considera uma política de gratuidade mais abrangente, enquanto a proposta anunciada pelo governo se limita inicialmente aos fins de semana e feriados.

Portanto, não é possível atribuir automaticamente todo esse impacto econômico à medida atualmente discutida.

Trabalhadores de baixa renda podem sentir os maiores efeitos

Para milhões de brasileiros, o transporte representa uma despesa importante no orçamento mensal.

A gratuidade pode beneficiar especialmente trabalhadores informais, pessoas desempregadas e famílias que precisam limitar deslocamentos por causa do preço das passagens.

O economista Renato Schwambach Vieira, professor da Universidade de São Paulo, destaca que a economia com transporte poderia ampliar a capacidade de consumo das famílias.

A medida também poderia facilitar o acesso a atividades culturais, espaços públicos e oportunidades de lazer, principalmente para moradores de regiões periféricas.

A gratuidade, porém, não resolve sozinha problemas como ônibus lotados, longos tempos de espera e falta de linhas em determinados bairros.

Mais de 140 cidades brasileiras já adotam tarifa zero

Transporte público gratuito pode reduzir a inflação e movimentar R$ 45 bilhões no Brasil
© Pexels

O transporte gratuito não é uma experiência inédita no país.

Segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), 143 municípios brasileiros já adotam gratuidade universal e irrestrita no transporte público.

Além disso, capitais como São Paulo e Belo Horizonte possuem programas de gratuidade em determinados dias.

Curitiba também oferece uma tarifa reduzida de R$ 3 nos fins de semana e feriados.

Essas experiências demonstram que existem diferentes modelos de financiamento e implementação, dependendo das características de cada município.

Entretanto, a própria NTU identificou uma desaceleração na expansão da tarifa zero, relacionada principalmente às dificuldades financeiras das administrações municipais.

Quem vai pagar a conta do transporte gratuito?

O principal desafio da proposta está no financiamento.

A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) alerta que a arrecadação com passagens já é insuficiente para cobrir os custos operacionais em diversos sistemas.

Isso significa que ampliar a gratuidade exigiria recursos adicionais da União, dos estados ou dos municípios.

Entre as alternativas discutidas estão subsídios públicos, fundos específicos e mudanças na estrutura de financiamento do transporte coletivo.

Especialistas também alertam que eventuais aumentos de impostos ou realocações orçamentárias precisam entrar nos cálculos econômicos.

A gratuidade pode beneficiar os passageiros, mas os ônibus continuam exigindo investimentos em combustível, manutenção, funcionários e infraestrutura.

Quando o transporte gratuito pode começar?

A proposta anunciada pelo governo prevê implementação a partir de 2027, mas ainda depende da tramitação de uma PEC no Congresso Nacional.

Por isso, não existe garantia de que o benefício entrará em vigor na data sugerida.

O debate envolve uma questão que vai além do preço das passagens: como financiar um transporte público acessível, eficiente e sustentável.

Se conseguir equilibrar benefícios sociais e custos operacionais, a tarifa zero poderá representar uma transformação importante na mobilidade urbana brasileira. Seu impacto econômico real, porém, dependerá do alcance da política e da forma escolhida para financiá-la.

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