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Ciência

Treinar de acordo com a menstruação realmente funciona? A ciência traz uma resposta diferente do que muitos acreditam

A ideia de adaptar os exercícios físicos às diferentes fases do ciclo menstrual ganhou espaço nas redes sociais e em programas de treinamento. No entanto, estudos recentes indicam que a relação entre hormônios e desempenho físico pode ser muito mais complexa do que sugerem as recomendações populares.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Muitas mulheres já se depararam com orientações que prometem melhorar os resultados dos treinos ao sincronizar exercícios com o ciclo menstrual. Em vídeos, aplicativos e publicações nas redes sociais, é comum encontrar calendários que recomendam atividades intensas durante determinados períodos e exercícios mais leves em outros. Embora essa proposta pareça fazer sentido à primeira vista, pesquisadores afirmam que as evidências científicas disponíveis ainda não sustentam essa estratégia como uma regra geral.

O que os estudos descobriram sobre ciclo menstrual e desempenho físico

Nos últimos anos, o tema ganhou atenção de pesquisadores interessados em compreender se as oscilações hormonais poderiam afetar diretamente os resultados obtidos com exercícios físicos. A expectativa era encontrar períodos mais favoráveis para o ganho de força ou para o crescimento muscular.

No entanto, as análises realizadas até agora não encontraram evidências robustas que confirmem essa hipótese. Uma revisão científica que avaliou dezenas de estudos concluiu que os dados disponíveis são insuficientes para recomendar alterações sistemáticas no treinamento com base apenas nas fases do ciclo menstrual.

Segundo os pesquisadores, a capacidade do organismo de responder aos estímulos do exercício permanece relativamente estável ao longo do mês. Isso significa que, para a maioria das mulheres, não existe um momento específico em que o corpo esteja naturalmente mais preparado para ganhar músculos ou aumentar a força apenas por causa das mudanças hormonais.

A doutora Marianna Apicella, pesquisadora da área de fisiologia feminina, ressalta que ainda faltam estudos de alta qualidade capazes de demonstrar uma relação clara entre as fases do ciclo e melhorias consistentes no desempenho esportivo. De acordo com ela, as evidências atuais não mostram diferenças relevantes na capacidade de desenvolver massa muscular durante os diferentes períodos do ciclo.

Por que tantas mulheres sentem diferenças ao longo do mês?

Embora a ciência não tenha encontrado alterações expressivas na resposta muscular, isso não significa que todas as mulheres se sintam exatamente da mesma forma durante o ciclo inteiro.

A experiência individual pode variar bastante. Algumas pessoas relatam sentir mais energia em determinados dias, enquanto outras enfrentam desconfortos que tornam a prática de exercícios mais difícil. Cólicas, fadiga, dores de cabeça, alterações de humor e sensação de inchaço são alguns dos sintomas que podem influenciar a disposição para treinar.

Treinar de acordo com a menstruação realmente funciona? A ciência traz uma resposta diferente do que muitos acreditam
© Sasun Bughdaryan – Unsplash

Esses fatores subjetivos ajudam a explicar por que muitas mulheres percebem mudanças no rendimento físico, mesmo quando os estudos não identificam diferenças fisiológicas relevantes relacionadas ao ganho de força ou de músculos.

Os especialistas observam que os sintomas costumam ter um impacto muito maior sobre a rotina de exercícios do que as alterações hormonais propriamente ditas. Em outras palavras, uma mulher pode sentir que está treinando pior em um determinado dia não porque seu corpo perdeu capacidade física, mas porque está lidando com desconfortos que dificultam o esforço.

O que dizem as organizações de medicina esportiva

Entidades ligadas à saúde e ao esporte têm adotado uma posição cautelosa sobre o assunto. A recomendação predominante é evitar regras rígidas baseadas exclusivamente no calendário menstrual.

Para organizações da área de medicina esportiva, a personalização dos treinos deve levar em consideração as respostas individuais de cada pessoa. Isso inclui fatores como nível de energia, qualidade do sono, recuperação muscular, histórico de lesões e sintomas específicos apresentados ao longo do ciclo.

Os especialistas destacam que duas mulheres podem vivenciar experiências completamente diferentes durante a mesma fase menstrual. Por isso, utilizar um único modelo para todas dificilmente produzirá resultados consistentes.

Além disso, a grande variabilidade observada entre os estudos dificulta a criação de recomendações universais. O que funciona para uma pessoa pode não trazer qualquer benefício para outra.

Como adaptar os exercícios de forma mais inteligente

Diante das evidências atuais, os pesquisadores sugerem uma abordagem mais simples e prática: ouvir o próprio corpo.

Em dias em que a disposição está alta e os sintomas são mínimos, não há motivo para evitar treinos intensos apenas porque determinada fase do ciclo supostamente não seria ideal para isso. Da mesma forma, quando surgem cólicas fortes, cansaço ou mal-estar, pode ser razoável reduzir a intensidade dos exercícios ou optar por atividades mais leves.

Essa estratégia permite ajustes personalizados que refletem as necessidades reais do organismo, em vez de seguir cronogramas padronizados criados para todas as mulheres.

Enquanto novas pesquisas continuam investigando a relação entre hormônios e desempenho físico, a principal conclusão permanece a mesma: a resposta individual é o indicador mais confiável para orientar o treinamento. Mais do que acompanhar um calendário, prestar atenção aos sinais do próprio corpo continua sendo a forma mais eficaz de manter uma rotina de exercícios saudável e sustentável ao longo de todo o mês.

[Fonte: NdB]

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