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Ciência

Três astronautas e quatro ratos: a nova missão espacial da China que mira o futuro da vida fora da Terra

A nave chinesa Shenzhou-21 decolou rumo à estação espacial Tiangong levando três astronautas e quatro ratos — escolhidos entre centenas de candidatos — para um experimento biológico inédito. O objetivo é compreender como mamíferos se adaptam à ausência de gravidade, um passo essencial nas futuras missões à Lua e a Marte.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A China deu mais um passo decisivo em seu ambicioso programa espacial. Na noite desta sexta-feira, a nave Shenzhou-21 partiu do Centro de Lançamento de Jiuquan, no noroeste do país, em direção à estação Tiangong. O voo, que decolou às 23h44 (horário local), marca o início de uma missão que combina ciência, cultura e diplomacia espacial.

Uma tripulação para a história

A bordo estão o comandante Zhang Lu, veterano de missões anteriores, e os estreantes Wu Fei e Zhang Hongzhang. Durante os seis meses em órbita, eles realizarão 27 experimentos científicos em áreas como biotecnologia, medicina aeroespacial e novos materiais.

Mas os protagonistas inesperados desta jornada são quatro pequenos passageiros: dois ratos machos e duas fêmeas, os primeiros mamíferos de pequeno porte a viver dentro da estação Tiangong. O objetivo é observar como a microgravidade afeta o comportamento, o metabolismo e a fisiologia desses animais.

Ratos astronautas: treinados para o espaço

Segundo Han Pei, engenheiro da Academia Chinesa de Ciências, o estudo “permitirá dominar tecnologias essenciais para a criação e o monitoramento de pequenos mamíferos em ambiente espacial”.

Os ratos foram escolhidos entre mais de 300 candidatos após 60 dias de treinamento, incluindo simulações de microgravidade e controle de estresse. Durante a missão, que durará até sete dias, serão monitorados por câmeras de alta resolução e sensores de movimento.

Os dados coletados ajudarão a desenvolver protocolos de adaptação biológica e emergência médica para futuras missões interplanetárias. Ao término do experimento, os animais retornarão à Terra na nave Shenzhou-20, permitindo comparações detalhadas entre suas condições pré e pós-voo.

Tiangong
© Nikolett Emmert – Unsplash

Tiangong: ciência e cultura em órbita

Antes da decolagem, o comandante Zhang Lu afirmou que o objetivo da missão é transformar a Tiangong em uma “utopia orbital”, onde ciência e cultura convivam lado a lado. Além das pesquisas, os astronautas praticarão tai chi, jardinagem e até poesia, refletindo a filosofia chinesa de harmonia entre mente, corpo e conhecimento.

A estação Tiangong — “Palácio Celestial” — é a primeira totalmente construída e operada pela China, após sua exclusão da Estação Espacial Internacional.

O sonho lunar de 2030

A Agência Espacial Tripulada da China (CMSA) confirmou que todos os sistemas da Shenzhou-21 funcionaram perfeitamente. O país mantém sua meta de enviar um astronauta à Lua até 2030, e já iniciou o treinamento de estrangeiros, incluindo dois paquistaneses, um dos quais poderá integrar uma missão de curta duração.

Com cada lançamento, a China se aproxima de consolidar seu status como terceira grande potência espacial. Mas esta missão vai além da tecnologia: busca compreender a vida fora da Terra, passo a passo, um experimento de cada vez.

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