A tensão entre os Estados Unidos e a Nigéria ganhou um novo capítulo neste fim de semana. O presidente Donald Trump anunciou que ordenou ao Departamento de Defesa preparar uma possível ação militar contra a Nigéria, alegando que o país africano “não faz o suficiente” para impedir a matança de cristãos em seu território.
Ameaça direta e suspensão de ajuda
Trump afirmou no Truth Social que os EUA “entrarão com armas em punho” para eliminar os “terroristas islâmicos” responsáveis pelas atrocidades. O presidente também determinou a suspensão imediata de toda ajuda e assistência americana à Nigéria, classificando o país como “desonrado” e alertando que, se houver ataque, ele será “rápido, cruel e doce”.
A Casa Branca não comentou oficialmente a ameaça, nem forneceu detalhes sobre prazos ou planos militares. A declaração vem um dia após Washington incluir novamente a Nigéria na lista de países de preocupação particular, por supostas violações à liberdade religiosa — ao lado de China, Coreia do Norte, Rússia, Mianmar e Paquistão.
Reação da Nigéria e defesa da liberdade religiosa

O presidente nigeriano Bola Tinubu reagiu dizendo que as acusações “não refletem a realidade nacional” e ressaltou que o governo tem trabalhado para proteger a liberdade de crença e religião. Em comunicado, Tinubu afirmou que a Nigéria é uma “nação plural que celebra a diversidade como sua maior força”.
O Ministério das Relações Exteriores do país reforçou que continuará combatendo o extremismo e espera manter os Estados Unidos como um “aliado próximo”.
Contexto militar na região
A presença dos EUA na África Ocidental é hoje limitada. Após a retirada de cerca de mil soldados do Níger, em 2024, o país mantém apenas pequenos destacamentos para exercícios conjuntos. A principal base americana no continente fica no Djibouti, na África Oriental, com mais de 5 mil militares — usada como ponto estratégico para operações no Chifre da África e no Oriente Médio.
A nova ameaça de Trump reacende um debate delicado: até que ponto os EUA devem intervir em crises religiosas e humanitárias fora de seu território. No caso da Nigéria, o risco é transformar uma tragédia doméstica em um novo foco de tensão geopolítica global.
[Fonte: CNN Brasil]