Após anos de tensão econômica e discursos inflamados, Donald Trump e Xi Jinping voltaram a se sentar à mesma mesa. O encontro, realizado nesta quinta-feira (30) em Busan, na Coreia do Sul, resultou em um acordo que promete aliviar o conflito comercial entre as duas maiores economias do planeta.
Uma trégua nas tarifas e na rivalidade tecnológica
Os dois líderes concordaram em reduzir tarifas aplicadas durante a guerra comercial e em manter o fornecimento das chamadas “terras raras”, um grupo de 17 minerais fundamentais para a produção de eletrônicos, armas e carros elétricos.
Trump chamou a reunião de “grande sucesso” e elogiou Xi como “um tremendo líder de um país muito poderoso”. O presidente norte-americano ainda confirmou uma visita à China em abril, sinalizando que a diplomacia entre os dois pode ganhar novo fôlego.
“Acredito que foi uma reunião incrível”, declarou Trump após o encontro. “Os Estados Unidos e a China podem alcançar grandes coisas quando trabalham juntos.”
Soja, fentanil e concessões mútuas
Entre as medidas anunciadas, Pequim se comprometeu a comprar grandes volumes de soja e produtos agrícolas dos EUA, numa tentativa de fortalecer o comércio e acalmar o setor rural americano, historicamente sensível às tarifas impostas pela China.
Já sobre as terras raras, Washington garantiu um acordo de um ano, renovável, para manter o fluxo estável desses materiais. Essas substâncias são cruciais para a indústria global de tecnologia, especialmente em produtos como smartphones, chips e sistemas de defesa.
Trump também revelou que Xi prometeu reforçar o combate ao tráfico de fentanil, um opioide sintético responsável por milhares de mortes nos Estados Unidos. Em troca, o republicano afirmou que reduzirá a tarifa sobre o produto chinês de 20% para 10%.
A geopolítica por trás do encontro
O reencontro entre Trump e Xi aconteceu durante a cúpula da APEC (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), que ocorre até sábado na cidade de Gyeongju, na Coreia do Sul. O evento é visto como uma oportunidade para restaurar pontes diplomáticas e estabilizar o comércio global em meio a tensões com Taiwan, guerra na Ucrânia e inflação mundial.
Analistas avaliam que, embora o acordo tenha caráter temporário, ele marca uma pausa importante na rivalidade econômica entre EUA e China, especialmente no campo tecnológico e energético — áreas onde o domínio chinês preocupa Washington.
Uma trégua estratégica, mas frágil
Apesar do clima de otimismo, especialistas alertam que a paz comercial pode ser apenas momentânea. A disputa por influência global e o controle sobre cadeias de suprimento continuam a separar os dois países.
Por ora, Trump e Xi decidiram apertar as mãos — mas o verdadeiro teste virá nos próximos meses, quando o acordo sobre tarifas e terras raras precisar provar que é mais do que apenas um respiro político.
[Fonte: Correio Braziliense]