A nova política tarifária dos Estados Unidos está prestes a entrar em vigor, e o Brasil está entre os países mais duramente atingidos. Segundo o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, as taxas — que chegam a 50% para o Brasil — começarão a ser aplicadas a partir de 1º de agosto, sem possibilidade de adiamento.
“Sem prorrogações”: o recado de Washington

Em entrevista à emissora Fox News neste domingo (27), Lutnick deixou claro que não haverá extensão do prazo. “Sem prorrogações, sem mais períodos de carência — em 1º de agosto, as tarifas serão definidas. Elas entrarão em vigor. A Alfândega começará a arrecadar o dinheiro”, afirmou o secretário, reforçando o tom definitivo da decisão.
Apesar disso, ele afirmou que os países ainda poderão buscar diálogo com o governo americano: “As pessoas ainda poderão falar com o presidente Trump. Ele está sempre disposto a ouvir. Se conseguir agradá-lo ou não, é outra história…”.
Brasil na mira: tarifa de 50%

Desde o dia 9 de julho, o Brasil já havia sido notificado sobre a nova tarifa. Em carta enviada ao presidente Lula, Donald Trump comunicou a aplicação de uma taxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos EUA. A justificativa apresentada foi tanto política quanto comercial.
Segundo Trump, a medida foi tomada “em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. Ele mencionou decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro que teriam imposto censura a plataformas de redes sociais dos EUA — classificadas como “secretas e ilegais”.
Um histórico de desequilíbrio?
Em sua carta, Trump afirmou que a relação comercial entre os dois países é “injusta” e “longe de ser recíproca”. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento do Brasil apontam o contrário: desde 2009, o Brasil registra déficits comerciais contínuos com os EUA, totalizando mais de US$ 88 bilhões em compras a mais do que exportações para os norte-americanos.
Tarifa para outros países
Além do Brasil, diversos países também foram atingidos pelas novas taxas — com valores entre 15% e 50%. A União Europeia, por exemplo, enfrenta uma tarifa de 30%, e só poderá negociar uma redução se “abrir seus mercados” para produtos americanos, segundo o secretário Lutnick. Outros afetados incluem Japão (25%), Canadá (35%), México (30%), África do Sul (30%) e Tailândia (36%).
Reações no Brasil e cenário político
O governo brasileiro tem mantido reuniões com empresários para avaliar possíveis formas de resposta. O presidente Lula, por sua vez, já criticou publicamente Trump em diversas ocasiões, e declarou que o republicano “não foi eleito para ser o imperador do mundo”.
A escalada das tensões reforça a complexidade das relações comerciais internacionais em um ano eleitoral nos Estados Unidos, onde Donald Trump busca um retorno à Casa Branca com uma agenda protecionista e retórica agressiva.
Enquanto o Brasil avalia os próximos passos, o relógio corre: em menos de uma semana, os produtos brasileiros serão taxados em solo americano como nunca antes — e o impacto pode ser bilionário.
[ Fonte: G1.Globo ]