Pular para o conteúdo
Mundo

Trump minimiza derrota republicana após avanço democrata: “Não considero um revés para mim”

Presidente afirma que aceita o resultado das eleições e sinaliza disposição para negociar, mas também lembra que poderá vetar propostas da oposição.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Donald Trump procurou se distanciar da derrota republicana nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Após os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, o presidente afirmou que não interpreta o resultado como uma avaliação negativa de seu governo. Ao mesmo tempo, reconheceu a vitória dos adversários e indicou que poderá trabalhar com a nova maioria no Congresso.

“Não considero um revés para mim”, declarou Trump em entrevista por telefone à Fox News. “Tivemos os dois melhores anos da história da Presidência em relação à economia e a tudo o que fizemos.”

A interpretação contrasta com a avaliação de analistas da BBC, que classificaram o resultado como uma derrota contundente para o presidente. A cobertura das eleições pela emissora destacou o avanço democrata em estados tradicionalmente republicanos.

Surpresa com o resultado e disposição para negociar

Trump Sugere Transformar A Venezuela No 51º Estado Dos Eua Durante Discurso Sobre Petróleo
© Win McNamee / Staff via Getty

Embora seu nome não estivesse nas urnas, Trump ocupou o centro da campanha. A votação ocorreu em meio à preocupação dos eleitores com o custo de vida, os preços dos combustíveis e a guerra no Irã.

Na entrevista à Fox News, o presidente reconheceu que os democratas “fizeram um bom trabalho”. Também admitiu surpresa com o desempenho de seu partido.

“Estou um pouco surpreso. Tivemos comícios com muita gente”, afirmou.

Trump adotou um tom conciliador ao dizer que existem “muitas, muitíssimas questões” nas quais poderá colaborar com a oposição. Além disso, descartou mudanças em seu gabinete como resposta ao resultado eleitoral.

Em declarações ao The New York Times, afirmou estar “absolutamente disposto” a aceitar o resultado e demonstrou interesse em trabalhar com os democratas.

“Provavelmente encontraremos uma solução”, disse.

Um aceno ao diálogo e outro ao veto

A disposição para negociar veio acompanhada de um lembrete sobre os poderes que Trump mantém na Casa Branca.

Em sua rede Truth Social, o presidente publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “VETO”, substituindo o tradicional slogan de sua campanha. A publicação sugeriu que ele poderá bloquear propostas aprovadas pela oposição.

O processo legislativo dos Estados Unidos prevê que Câmara e Senado aprovem o mesmo texto antes de encaminhá-lo ao presidente, que pode sancioná-lo ou vetá-lo.

Portanto, a maioria democrata amplia os obstáculos à agenda republicana, mas também terá de negociar para transformar suas próprias propostas em lei.

“Achei que eles se sairiam melhor”

Ao comentar as derrotas, Trump atribuiu parte da responsabilidade aos candidatos de seu partido. Ainda assim, reconheceu que o preço elevado da gasolina pesou na decisão dos eleitores.

“Achei que eles se sairiam melhor”, afirmou à Fox News.

“Eles não inspiraram as pessoas a sair para votar. E eu não estava nas cédulas. Se estivesse, elas teriam saído.”

O argumento deixou de lado o fato de que vários candidatos derrotados receberam seu apoio direto. Durante a campanha, o próprio presidente incentivou os eleitores a votar como se seu nome também estivesse na disputa.

Trump ainda afirmou que, caso concorresse pessoalmente, os republicanos teriam vencido por uma ampla margem.

A disputa pela responsabilidade começa dentro do partido

Eleições nos EUA: democratas conquistam o Congresso e impõem derrota política a Trump
© Imagem gerada por IA

A derrota abriu espaço para cobranças entre os republicanos. Segundo o correspondente da BBC na Casa Branca, Bernd Debusmann Jr., algumas figuras do partido apontam para os integrantes do governo que defenderam a guerra no Irã. Outras atribuem o desgaste ao próprio presidente.

O comentarista conservador Ben Shapiro questionou a tentativa de separar Trump do resultado.

“O presidente disse, antes das eleições, que elas seriam um referendo sobre sua pessoa e agiu como se ele próprio estivesse na cédula”, declarou em seu podcast. “Acho que, de certa forma, o presidente estava, sim, na cédula.”

A avaliação recupera uma contradição da campanha: Trump pediu que seus apoiadores tratassem a eleição como uma disputa pessoal. Depois da derrota, procurou apresentar o resultado como um problema dos candidatos republicanos.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados