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Democratas viram o jogo no Congresso e ampliam os obstáculos para Trump

Projeções apontam vitória da oposição na Câmara e no Senado, abrindo caminho para mais fiscalização e disputas sobre a agenda da Casa Branca.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O presidente Donald Trump deverá enfrentar um Congresso mais resistente na segunda metade de seu mandato. Segundo projeções eleitorais divulgadas pela CNN após as eleições de meio de mandato de 3 de novembro, os democratas devem conquistar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. O resultado muda o equilíbrio político em Washington, embora a apuração ainda estivesse em andamento na manhã desta quarta-feira (4).

A mudança dá à oposição mais espaço para questionar decisões do Executivo e dificultar propostas republicanas. Ainda assim, vencer as eleições legislativas não permite aos democratas implementar sua agenda sem enfrentar resistências institucionais.

Uma virada que passa por estados republicanos

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© Kevin Dietsch / Getty Images

As projeções indicam que o avanço democrata alcançou estados onde o partido acumulava décadas de derrotas nas disputas pelo Senado.

No Texas, James Talarico venceu o republicano Ken Paxton, segundo a CNN, encerrando um intervalo de 38 anos sem uma vitória democrata para o Senado pelo estado. No Kansas, a emissora projetou a vitória de Adam Hamilton sobre Roger Marshall, um resultado que rompe uma sequência de 94 anos sem eleição de um senador democrata.

Na Câmara, a projeção de vitória também coloca Hakeem Jeffries no caminho para disputar a presidência da Casa. Se os parlamentares confirmarem sua escolha em votação no plenário, ele será o primeiro negro a ocupar o cargo. A conquista da maioria, porém, não equivale à eleição automática de seu líder.

O que muda para o governo Trump

O controle das duas Casas amplia a capacidade democrata de influenciar a pauta legislativa e fiscalizar o governo. Com isso, medidas da Casa Branca tendem a enfrentar mais questionamentos e negociações.

O Senado tem ainda uma atribuição decisiva: analisar diversas indicações presidenciais. Como explica a página oficial sobre nomeações, a Casa participa da confirmação de autoridades do governo e de integrantes do Judiciário federal. Uma maioria de oposição pode, portanto, criar dificuldades para escolhas de Trump.

Na prática, o resultado também aumenta a importância dos acordos entre os partidos. Temas como gastos públicos e prioridades legislativas passam a depender de uma relação mais disputada entre o Congresso e o Executivo.

A maioria tem limites

Mesmo com o controle do Legislativo, os democratas não poderão transformar qualquer proposta em lei por conta própria.

O processo legislativo explicado pela Câmara dos Representantes exige que as duas Casas aprovem o mesmo texto antes de enviá-lo ao presidente. Trump poderá sancionar ou vetar as medidas que chegarem à sua mesa. house.gov

Para superar um veto presidencial, o Congresso precisa reunir dois terços dos votos em cada Casa, conforme explica o Centro de Visitantes do Capitólio. Esse patamar é superior ao necessário para conquistar uma maioria simples.

Assim, a virada projetada altera principalmente a capacidade de negociação e fiscalização da oposição. Trump conserva os poderes da Presidência, mas deverá exercê-los diante de um Legislativo com mais disposição para contestar suas decisões.

 

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