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Turbulências aéreas podem dobrar até o fim do século: veja as rotas mais críticas e por que o risco está aumentando

Incidentes recentes com feridos e até mortes acendem o alerta: as turbulências estão ficando mais frequentes e intensas, especialmente em algumas das rotas mais movimentadas do mundo. Pesquisas indicam que o aquecimento global pode ser um dos principais responsáveis por essa tendência preocupante.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Dois minutos de tremores severos podem transformar um voo tranquilo em pânico total. Nos últimos anos, casos de turbulência extrema cresceram e têm causado hospitalizações, desvios e, em raros casos, mortes. Agora, cientistas alertam: se o planeta continuar a aquecer, o fenômeno pode se tornar ainda mais recorrente e perigoso.

Quando o céu se torna instável

Turbulencia 1
© Sebastian – Unsplash

Na semana passada, um voo da Delta de Salt Lake City a Amsterdã precisou pousar de emergência em Minneapolis após turbulência severa lançar passageiros e carrinhos contra o teto. Vinte e cinco pessoas foram hospitalizadas.
Embora mortes sejam raras, como a de um passageiro de 73 anos no ano passado, o número de feridos graves preocupa. Nos EUA, foram mais de 200 entre 2009 e 2024, segundo o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes.

O que causa a turbulência

A turbulência ocorre quando o fluxo suave do ar é interrompido por obstáculos, como montanhas ou tempestades, ou por mudanças bruscas de vento. A chamada turbulência de ar claro — difícil de detectar — costuma surgir próxima a correntes de jato, rios de ar rápido em grandes altitudes.
Esse tipo é especialmente perigoso por não oferecer sinais visuais, surpreendendo pilotos e passageiros.

As rotas mais turbulentas do mundo

Um levantamento do site Turbli analisou mais de 10 mil rotas. A mais turbulenta é o trajeto entre Mendoza (Argentina) e Santiago (Chile), sobre a Cordilheira dos Andes, onde ondas de vento provocadas pelas montanhas geram fortes trepidações.
Nos EUA, voos que cruzam as Montanhas Rochosas lideram o ranking local. Na Europa, o destaque é para trajetos sobre os Alpes. No Japão, a rota entre Natori e Tokoname sofre com correntes de ar poderosas alimentadas pelo encontro de massas de ar frio e quente.

O impacto do aquecimento global

Estudos mostram que as mudanças climáticas estão intensificando as turbulências. O aumento da diferença de temperatura na atmosfera superior torna os ventos mais instáveis, aumentando a ocorrência de cisalhamento.
Sobre o Atlântico Norte, a turbulência severa em céu claro foi 55% mais frequente em 2020 do que em 1979. Pesquisas projetam que, até o fim do século, incidentes fortes o suficiente para causar ferimentos podem dobrar ou triplicar.

Tempestades mais intensas

Além das correntes de jato, tempestades tropicais e nuvens cumulonimbus também provocam turbulências perigosas. Com o aquecimento global, essas formações podem se tornar mais comuns e violentas, já que uma atmosfera mais quente retém mais umidade.
Pilotos geralmente desviam dessas áreas com auxílio de radar, mas em situações de múltiplas tempestades, o risco de ficar “preso” entre sistemas ativos aumenta.

Prevenção e segurança

Especialistas reforçam que voar continua sendo o meio de transporte mais seguro. Aeronaves são projetadas para suportar fortes trepidações, e manter o cinto afivelado é a medida mais eficaz contra ferimentos.
A previsão também avançou: hoje já é possível antecipar cerca de 75% das turbulências, segundo estudos da Universidade de Reading.

O que esperar

À medida que a aviação cresce e o clima muda, é provável que rotas já conhecidas pela instabilidade se tornem ainda mais desafiadoras. Para passageiros, a recomendação é simples: segurança em primeiro lugar e cinto sempre afivelado — mesmo quando o voo parece calmo.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

 

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