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Ciência

Um buraco negro no universo jovem liberou o brilho mais intenso já visto — e tudo começou quando ele despedaçou uma estrela gigante

Astrônomos registraram o destello mais brilhante já observado vindo de um buraco negro supermassivo. O fenômeno ocorreu há cerca de 10 bilhões de anos, quando o universo ainda era jovem. Ao devorar uma estrela colossal, o buraco negro liberou uma explosão de energia 10 trilhões de vezes mais forte que o brilho do Sol.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Buracos negros são conhecidos por seu apetite voraz e por sua capacidade de dobrar o próprio espaço-tempo. Mas, às vezes, esses gigantes cósmicos revelam sua presença de maneira espetacular. Em 2018, telescópios detectaram um clarão tão brilhante que desafiou todas as expectativas: o brilho mais intenso já observado vindo de um buraco negro. Agora, um estudo publicado na Nature Astronomy descreve como esse evento extremo pode ajudar a entender o universo em sua infância.

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© https://x.com/weatherchannel

A explosão foi registrada por uma câmera do Observatório Palomar, na Califórnia, e chamou a atenção imediatamente por sua intensidade incomum: cerca de 10 trilhões de vezes mais brilhante que o Sol. Segundo o estudo, o fenômeno ocorreu em uma galáxia a 10 bilhões de anos-luz da Terra, quando o universo tinha apenas um terço da idade atual.

O responsável foi um buraco negro supermassivo com cerca de 300 milhões de vezes a massa do Sol. Ele destruiu e devorou uma estrela gigantesca, provavelmente com entre 30 e 200 massas solares — um tipo estelar raro, brilhante e de vida curta.

Como uma estrela é destruída por um buraco negro

Quando a estrela se aproximou demais, sua gravidade não foi suficiente para mantê-la inteira. O buraco negro a esticou como se fosse um fio luminoso — fenômeno conhecido como “espaguetificação”.

“A estrela ficou tão perto que foi esticada até se tornar longa e fina, e esse material começou a espiralar em direção ao buraco negro”, explicou a astrônoma K.E. Saavik Ford.

À medida que o gás da estrela caía no abismo, liberava energia em uma escala colossal. O brilho aumentou 40 vezes ao longo das observações, e atingiu o ápice em junho de 2018 — 30 vezes mais luminoso do que qualquer evento similar já registrado.

No início, os cientistas duvidaram.

“Realmente não acreditávamos nos números”, afirmou Matthew Graham, do Caltech, autor principal do estudo.

Mas análises posteriores eliminaram outras hipóteses, como supernovas ou efeitos de lente gravitacional.

Uma janela para o passado profundo do cosmos

O evento não é apenas impressionante pela energia liberada. Ele também funciona como uma janela para o universo primitivo, quando galáxias e buracos negros estavam se formando e crescendo rapidamente.

Astrônomos utilizaram telescópios no Havaí, Arizona e Califórnia para acompanhar o fenômeno. O clarão continua diminuindo lentamente, e os pesquisadores estimam que ele permaneça visível por aproximadamente 11 anos.

Para Joseph Michail, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, que não participou do estudo:

“Esse tipo de evento permite observar como buracos negros supermassivos interagiam com seu ambiente nas primeiras eras do universo.”

Em outras palavras, o brilho extremo revela não só a morte dramática de uma estrela, mas também os processos que moldaram as primeiras galáxias.

Por que isso importa

Eventos como esse são raríssimos. E, ao observá-los, os astrônomos não estão apenas vendo algo acontecer muito longe — também estão olhando para muito longe no tempo. O que foi registrado agora ocorreu quando a Terra nem existia.

Ao estudar esse clarão, os cientistas podem:

  • Melhor entender como buracos negros crescem e se alimentam

  • Investigar a formação de estrelas massivas em galáxias jovens

  • Medir a evolução energética do universo ao longo de bilhões de anos

Foram necessários apenas alguns instantes cósmicos para o buraco negro transformar uma estrela gigante em luz. Mas essa luz pode iluminar nossa compreensão do cosmos por muito tempo ainda.

 

[ Fonte: DW ]

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