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Ciência

Um cometa pode surgir a olho nu no céu do Brasil — mas tudo depende de um encontro extremo com o Sol

Descoberto há poucos meses, o cometa C/2026 A1 (MAPS) pode protagonizar um espetáculo raro no céu de abril. Ele pode ficar visível a olho nu — e até aparecer durante o dia. Mas há um obstáculo: antes disso, precisará sobreviver a uma passagem extremamente perigosa perto do Sol.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nem sempre um cometa recém-descoberto ganha tanta atenção em tão pouco tempo. Mas o C/2026 A1 (MAPS) está mudando isso rapidamente. Seu brilho aumentou de forma impressionante, e sua trajetória o coloca em um dos cenários mais dramáticos da astronomia: um mergulho rasante pelo Sol. Se resistir, pode se tornar um dos grandes destaques do céu em 2026 — especialmente para quem está no Brasil.

Um visitante recém-descoberto que já chama atenção

O cometa foi identificado em 13 de janeiro de 2026 no Chile, no observatório AMACS1, em San Pedro de Atacama. A descoberta foi feita por um grupo de astrônomos franceses que trabalham em um projeto voltado à detecção de objetos próximos da Terra.

Naquele momento, ele era extremamente fraco, com magnitude 18 — invisível para a maioria dos telescópios amadores. Desde então, no entanto, o cenário mudou rapidamente.

O brilho do objeto já aumentou cerca de 600 vezes. Atualmente, ele pode ser observado com pequenos telescópios e continua ganhando intensidade à medida que se aproxima do Sol.

Por que esse cometa é tão especial

O grande diferencial do C/2026 A1 é sua classificação: ele pertence à família dos cometas rasantes de Kreutz.

Esse grupo é conhecido por trajetórias extremas, passando muito perto do Sol. E isso costuma gerar dois possíveis desfechos — ambos dramáticos.

Por um lado, esses cometas podem se tornar extremamente brilhantes em pouco tempo, criando verdadeiros espetáculos no céu. Por outro, muitos acabam destruídos pela proximidade com a estrela.

É um equilíbrio delicado entre espetáculo e destruição.

O momento mais perigoso acontece em abril

O ponto crítico da trajetória será no dia 4 de abril de 2026, quando o cometa atingirá seu periélio — o momento de maior proximidade com o Sol.

Ele passará a apenas cerca de 159 mil quilômetros acima da superfície solar, uma distância extremamente pequena em termos astronômicos.

Nesse ponto, enfrentará temperaturas que podem ultrapassar 1 milhão de graus Celsius, além de forças gravitacionais intensas que podem fragmentar seu núcleo.

Para sobreviver, precisará atravessar essa região a velocidades impressionantes, superiores a 1,6 milhão de quilômetros por hora.

O brilho pode surpreender — mas é imprevisível

Um “cometa verde” faz sua última visita e nunca mais voltará
© https://x.com/GraceSpaceR/

As previsões sobre o brilho do cometa variam bastante.

Alguns modelos indicam que ele pode atingir magnitude -5, semelhante ao brilho de Vênus no céu. Outros cenários mais otimistas sugerem que pode ficar ainda mais luminoso.

Mas cometas rasantes são notoriamente imprevisíveis. Pequenas mudanças em sua estrutura podem alterar completamente o resultado.

Em outras palavras: ele pode se tornar um espetáculo memorável — ou simplesmente desaparecer.

Dá para ver a olho nu no Brasil?

Se o cometa sobreviver à passagem pelo Sol, o melhor momento para observação deve ocorrer logo depois, entre 6 e 15 de abril.

Nesse período, ele pode reaparecer no céu do entardecer e, possivelmente, se tornar visível a olho nu — especialmente no Hemisfério Sul, incluindo o Brasil.

A posição da órbita favorece observadores brasileiros, já que o cometa deve aparecer mais alto no horizonte em comparação com o Hemisfério Norte, onde as condições tendem a ser mais limitadas.

Atenção: observar perto do Sol é perigoso

Cometa interestelar lança jato de gelo e poeira rumo ao Sol
© https://x.com/zozyalco

Apesar da empolgação, há um alerta importante.

Tentar observar o cometa muito próximo do Sol pode causar danos graves à visão. Nem óculos escuros, binóculos ou telescópios oferecem proteção adequada nesse tipo de situação.

A recomendação é evitar qualquer tentativa de observação direta durante a fase mais próxima do Sol.

A forma mais segura de acompanhar

Para quem quiser acompanhar o momento mais crítico, a melhor alternativa é recorrer a imagens online.

A sonda solar SOHO, por exemplo, deve registrar a passagem do cometa entre os dias 2 e 6 de abril. Durante o periélio, será possível ver o objeto “contornando” o Sol nas imagens captadas por suas câmeras.

Um espetáculo que depende da sobrevivência

Ao longo de março, o cometa ainda é um alvo restrito a telescópios. Mas abril pode mudar completamente esse cenário.

Se resistir ao calor extremo e às forças do Sol, o C/2026 A1 pode se transformar em um dos eventos astronômicos mais marcantes do ano.

Caso contrário, desaparecerá sem deixar rastro — consumido no exato momento em que prometia brilhar mais.

É esse equilíbrio entre risco e espetáculo que torna sua trajetória tão fascinante.

 

[ Fonte: Futuro Astrônomo ]

 

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