Sugar é um dos primeiros reflexos do ser humano e exerce um papel fundamental no conforto emocional do bebê. Chupeta e dedo ajudam a acalmar, facilitam o sono e reduzem a ansiedade nos primeiros anos de vida. No entanto, quando esse hábito se prolonga além do tempo adequado, pode interferir no crescimento da face, na posição dos dentes e na mordida, gerando impactos duradouros.
Por que o bebê sente tanta necessidade de sugar
O reflexo de sucção surge ainda na gestação, por volta da 14ª semana, e se torna voluntário entre os quatro e seis meses de vida. Nesse período, sugar não é apenas uma forma de alimentação, mas também um instrumento de autorregulação emocional. A chupeta e o dedo funcionam como agentes de conforto, ajudando o bebê a relaxar, dormir e lidar com frustrações iniciais. Estudos mostram, inclusive, que o uso do chupeta pode reduzir o estresse dos pais nos primeiros meses.
Quando a sucção começa a causar prejuízos
O problema surge quando o hábito se estende além do período considerado fisiológico. A pressão constante exercida pela chupeta ou pelo dedo interfere gradualmente na posição dos dentes e no desenvolvimento do maxilar. As alterações mais comuns incluem os dentes superiores projetados para frente, os inferiores inclinados para dentro, palato estreito e a chamada mordida aberta — quando os dentes não se encostam corretamente ao fechar a boca. Quanto mais tempo por dia o hábito é mantido, especialmente durante o sono, maiores tendem a ser os impactos.
Qual é a idade ideal para abandonar o hábito
Especialistas em odontopediatria recomendam que a retirada da chupeta e da sucção digital ocorra, preferencialmente, até os dois anos de idade, período em que a maioria das alterações ainda consegue se corrigir naturalmente com o crescimento da criança. Após essa fase, as deformações tornam-se mais resistentes e podem exigir tratamentos ortodônticos no futuro. A retirada pode ser gradual, restringindo o uso apenas ao horário de dormir, ou direta, desde que seja conduzida com constância.

Quando o hábito tem raiz emocional
Em algumas crianças, especialmente aquelas que passam por mudanças emocionais importantes — como separação dos pais, mudança de casa ou nascimento de um irmão — a sucção do dedo pode reaparecer como uma estratégia de conforto. Em casos persistentes, podem ser necessários reforços positivos, acompanhamento psicológico ou, em situações específicas, dispositivos orais que dificultem a prática.
Um hábito natural, mas com prazo de validade
Chupeta e dedo fazem parte do desenvolvimento emocional nos primeiros anos de vida e não devem ser tratados como vilões nesse período. O problema surge quando deixam de ser apenas um conforto passageiro e passam a interferir na saúde bucal. Com paciência, orientação adequada e atenção aos sinais do corpo, a retirada pode acontecer de forma tranquila, protegendo o sorriso da criança no longo prazo.