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Ciência

Um experimento que dura 98 anos e ainda está em andamento

À primeira vista, parece apenas um funil com uma substância escura parada. Mas por trás dessa simplicidade se esconde um dos experimentos mais longos da história da ciência, que há quase 100 anos observa um líquido tão viscoso que desafia até mesmo o tempo. E ele ainda está em andamento.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No mundo acelerado da ciência, onde descobertas surgem em questão de dias, um experimento australiano caminha no ritmo oposto. Há quase um século, um funil com piche escuro goteja lentamente em um laboratório, revelando verdades fascinantes sobre a matéria e nossa própria percepção do tempo. Este é o lendário “Experimento do Piche” — e ele ainda não terminou.

Um experimento que escorre lentamente pela história

Um experimento que dura 98 anos e ainda está em andamento
© https://x.com/DayInLab/

O chamado Experimento do Piche começou em 1927, idealizado pelo professor Thomas Parnell, da Universidade de Queensland, na Austrália. A intenção era simples: mostrar aos alunos que um material que parece sólido — como o piche — pode, na verdade, ser um líquido com viscosidade extrema. Para isso, Parnell aqueceu o piche, despejou-o em um funil de vidro e esperou três anos para que ele se acomodasse. Só em 1930 ele cortou o bico do funil e iniciou oficialmente o experimento.

Desde então, o que se vê é uma das manifestações mais lentas de movimento já observadas: em quase 100 anos, apenas nove gotas caíram. A próxima, a décima, é aguardada com expectativa para algum ponto da década de 2030. A substância, derivada do petróleo, é tão densa que sua viscosidade é cerca de 230 bilhões de vezes maior do que a da água. Isso explica por que um pingo leva anos para se formar e cair.

Entre falhas técnicas, curiosidades e reconhecimento internacional

Apesar de sua longa duração, nenhuma gota foi vista caindo até 2014. Em 2000, a oitava gota caiu pouco antes da instalação das câmeras. Já a nona, infelizmente, foi perdida por falha no equipamento. Foi só em Dublin, em um experimento paralelo realizado no Trinity College, que a primeira queda de uma gota foi registrada em vídeo.

Atualmente, o experimento original está protegido por uma vitrine de acrílico e monitorado por câmeras 24 horas por dia. O físico Andrew White, atual responsável pelo projeto, dá continuidade ao legado iniciado por Parnell. Em 2005, o experimento ganhou destaque ao entrar para o Guinness Book como o experimento científico contínuo mais longo do mundo — além de render a seus responsáveis o inusitado Prêmio Ig Nobel de Física, uma homenagem bem-humorada a feitos científicos improváveis, mas reais.

O que começou como uma simples demonstração para estudantes se transformou em um marco da paciência científica, da curiosidade humana e da vontade de entender o invisível. E ele segue, gota a gota, deixando sua marca na história.

[Fonte: Revista Forum]

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