Mais de 6 mil exoplanetas já foram descobertos pela NASA em diferentes regiões da Via Láctea. No entanto, apesar desse número impressionante, os astrônomos ainda não conseguiram confirmar a existência de uma única exolua — uma lua localizada fora do Sistema Solar.
Agora, um novo estudo publicado na revista Nature pode mudar esse cenário. Pesquisadores identificaram um objeto semelhante a uma lua orbitando uma anã marrom, que por sua vez orbita uma estrela. Embora a descoberta ainda não possa ser oficialmente classificada como a primeira exolua confirmada, ela representa um dos candidatos mais promissores já encontrados e demonstra uma nova técnica que poderá acelerar futuras descobertas.
Segundo os autores, o maior desafio atualmente não é apenas encontrar esses objetos, mas definir exatamente o que pode ou não ser considerado uma exolua.
O que é uma exolua e por que ela ainda não foi confirmada
No Sistema Solar, distinguir um planeta de uma lua costuma ser relativamente simples. Embora existam discussões sobre objetos muito pequenos, a classificação geralmente é bem estabelecida.
Fora do Sistema Solar, porém, a situação é muito mais complexa.
Os poucos satélites naturais candidatos encontrados até hoje orbitam sistemas extremamente diferentes do nosso, dificultando sua classificação. Como ainda não existe uma exolua oficialmente confirmada, também não há um conjunto de exemplos que sirva como referência para definir critérios claros.
Essa ausência de consenso faz com que praticamente todos os candidatos permaneçam em debate.
Segundo Kevin Hoy, doutorando em Astrofísica na Universidade Diego Portales, no Chile, e principal autor do estudo, essa indefinição explica a cautela dos pesquisadores.
“A falta de uma definição sobre quais critérios devem ser utilizados é justamente o motivo pelo qual não podemos afirmar se este é ou não o primeiro caso de exolua”, explicou o pesquisador.
O novo candidato orbita uma anã marrom
O sistema descoberto possui uma estrutura hierárquica incomum composta por três níveis.
No centro está uma estrela. Ao seu redor orbita uma anã marrom — objeto conhecido como uma “estrela fracassada”, cuja massa é insuficiente para manter a fusão do hidrogênio característica das estrelas convencionais.
Em torno dessa anã marrom gira o novo objeto identificado pelos pesquisadores.
Embora ele seja cerca de 40 vezes menor que seu hospedeiro, sua massa ainda é enorme para os padrões conhecidos. Os cálculos indicam que ela é ligeiramente inferior à massa de Júpiter, tornando-a muito maior do que qualquer lua existente no Sistema Solar.
Esse é justamente um dos fatores que dificultam sua classificação.
Até hoje, todas as luas conhecidas orbitam planetas, não anãs marrons. Como esses objetos ocupam uma posição intermediária entre planetas gigantes e estrelas, ainda não existe consenso sobre se podem ou não servir como hospedeiros de exoluas.
Nova técnica pode acelerar a descoberta de outras exoluas
Independentemente da classificação final, a pesquisa trouxe um avanço importante na forma de procurar esses objetos.
Os cientistas utilizaram a técnica conhecida como velocidade radial, amplamente empregada na descoberta de exoplanetas.
O método combina dois princípios físicos.
O primeiro é o efeito Doppler, que permite detectar pequenas alterações na frequência da luz emitida por um objeto conforme ele se aproxima ou se afasta do observador.
O segundo envolve o movimento gravitacional entre dois corpos.
Quando um objeto orbita outro, ambos giram em torno de um centro de massa comum. Esse movimento provoca pequenas oscilações no corpo principal, gerando variações em sua velocidade que podem ser medidas pelos instrumentos astronômicos.
Foi exatamente esse “balanço” da anã marrom que revelou a presença do possível satélite.