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Ciência

Um Tesouro Marciano de Outro Mundo: A Pedra Espacial Mais Valiosa Já Encontrada Pode Bater Recordes

Com uma origem distante de 225 milhões de quilômetros, um meteorito raríssimo está prestes a mudar de mãos — e o valor que pode alcançar é tão astronômico quanto sua jornada até a Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Você já imaginou ter um pedaço de Marte em casa? Pois é exatamente isso que está prestes a acontecer com quem vencer o leilão de um dos objetos mais raros já encontrados no planeta. A rocha espacial NWA 16788, descoberta em pleno deserto do Saara, pode ultrapassar os 4 milhões de dólares, e sua história é tão fascinante quanto seu preço.

A rocha que veio de Marte

O meteorito NWA 16788, com impressionantes 24 quilos, foi encontrado em 2023 na região de Kefkaf, no Níger. Ele é oficialmente o maior fragmento de Marte já identificado em solo terrestre. Estima-se que tenha percorrido cerca de 225 milhões de quilômetros no espaço antes de atravessar a atmosfera terrestre e cair no Saara.

A casa de leilões Sotheby’s, em Nova York, será responsável por sua venda no próximo dia 16 de julho. O lance inicial? Nada menos que 1,9 milhão de dólares — com expectativa de atingir o dobro disso. Segundo Cassandra Hatton, vice-presidente de ciência e história natural da Sotheby’s, trata-se de uma descoberta “de importância extraordinária”, com grande valor científico e simbólico.

Um achado raro entre raros

Do total de mais de 77 mil meteoritos reconhecidos no mundo, apenas cerca de 400 têm origem marciana. E esse fragmento específico representa cerca de 6,5% da massa total de todo o material conhecido vindo de Marte. Ele é cerca de 70% maior que o segundo maior fragmento marciano já encontrado.

Seu exterior exibe uma coloração entre cinza e marrom, parcialmente coberto por uma crosta de fusão — um tipo de revestimento vítreo escuro que se forma quando a rocha derrete parcialmente ao atravessar a atmosfera. Essa característica é uma das marcas registradas dos meteoritos e ajuda a diferenciá-los das rochas comuns da Terra.

Além disso, a superfície do NWA 16788 apresenta regmagliptos, pequenas depressões causadas por jatos de gás quente e gotículas de material derretido que corroem a rocha durante sua descida atmosférica.

Um pedaço de Marte que revela segredos

Após sua descoberta, um fragmento do meteorito foi enviado ao Museu de Astronomia de Xangai, que o identificou como um “shergottito” — o tipo mais comum de meteorito marciano encontrado por aqui. Essas rochas ígneas se formam a partir de atividade vulcânica, solidificando-se diretamente da lava que emergiu em Marte.

Embora pareça estranho que uma relíquia científica desse porte vá parar nas mãos de um colecionador, a Sotheby’s afirma que a rocha já foi exposta ao público. Antes do leilão, ela foi exibida na Agência Espacial Italiana, em Roma, e em uma galeria privada em Arezzo, na Toscana.

Entre o fascínio público e o mercado privado

A possível venda privada do meteorito gera controvérsias. Para alguns cientistas, como o paleontólogo Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, é lamentável que uma peça tão valiosa desapareça no cofre de algum bilionário: “Ela pertence a um museu, onde pode ser estudada e apreciada pelo público.”

Por outro lado, há quem defenda o mercado de meteoritos. Para Julia Cartwright, pesquisadora da Universidade de Leicester, o comércio dessas rochas impulsiona a ciência. “Se não houvesse mercado para coleta e venda, teríamos muito menos amostras para estudo”, afirmou.

Uma janela para o universo

Independentemente de onde NWA 16788 vá parar, seu valor ultrapassa cifras. É um lembrete de que, embora as viagens humanas a Marte ainda sejam um sonho distante, o cosmos continua enviando pistas — e pedaços — que nos aproximam cada vez mais do desconhecido.


Com 24 quilos e uma jornada cósmica de milhões de quilômetros, o meteorito NWA 16788 é muito mais do que uma rocha: é uma peça rara que conecta a Terra ao planeta vermelho. Seu futuro está nas mãos de quem puder pagar, mas seu impacto é universal — tanto para a ciência quanto para nossa imaginação.

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