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Um Tributo à Presidente Lisa Simpson: O Futuro Que Ainda Esperamos

Revisitar o episódio "Bart to the Future", da 11ª temporada de Os Simpsons, traz uma sensação agridoce.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Ao ver Lisa Simpson na Casa Branca, vestindo um elegante terno roxo e suas clássicas pérolas, inevitavelmente vem à mente a imagem da vice-presidente Kamala Harris, em 2020. A semelhança não foi coincidência; Harris citou Os Simpsons em discursos e fez referência ao famoso trecho do especial de Halloween: “Precisamos seguir em frente, não para trás. Para cima, não para frente. E sempre girando, girando em direção à liberdade”.

O roteiro do futuro imaginado pelos Simpsons em 2000 acabou revelando-se assustadoramente profético. Lisa assumia a presidência herdando uma enorme dívida do governo Trump. O que parecia uma piada absurda tornou-se realidade anos depois, duas vezes. Nesse mesmo futuro fictício, Bart brinca que jamais seria presidente porque seria “real demais”. Hoje, essa frase ressoa em um contexto político que flerta com o surreal.

A visão de Lisa Simpson como presidente, porém, transcende as coincidências. Ela simboliza o que gostaríamos de ver em nossos líderes: inteligência, compaixão, senso de justiça e empatia. Desde criança, Lisa foi a voz sensata da família Simpson. Cercada por caos e absurdos em Springfield, ela representava a razão e a bondade em um cenário que espelhava a diversidade e os desafios da classe média americana.

Lisa foi para muitas meninas um exemplo de força e altruísmo. Defensora dos direitos humanos e dos animais, seu ativismo inspirou gerações. Mais do que isso, foi através de Lisa que muitos de nós, espectadores jovens, fomos apresentados à literatura e à cultura. Quem não se lembra do episódio em que ela cita Edgar Allan Poe em “Lisa’s Rival”? Aquela referência despertou o interesse de muitos pela obra do autor. Lisa nos ensinou que, mesmo os mais virtuosos, são humanos e passíveis de erros, como quando sabotou a colega para se destacar.

Sua vida amorosa também foi retratada de maneira realista e tocante. Do inesquecível “I Choo-Choo-Choose You”, de Ralph Wiggum, à relação improvável com Nelson, Lisa sempre demonstrou vulnerabilidade e autenticidade.

Agora, ao atingir a idade em que poderia me candidatar à presidência, percebo que a figura de uma líder com os valores de Lisa continua sendo um ideal distante. A sua coragem para enfrentar desafios, seu amor pela família e comunidade e seu compromisso com a justiça social seriam qualidades preciosas no comando de uma nação.

Em um mundo marcado por notícias diárias de escândalos e injustiças, lembro-me de outra cena de “Bart to the Future”. Homer desabafa: “Que futuro sombrio e horrível em que vivemos!”, e Bart corrige: “Não quis dizer presente?”. Sim, esse é o nosso presente. Mas gosto de acreditar que o futuro guarda a Presidente Lisa Simpson — não necessariamente com esse nome, mas com tudo o que ela representa.

Talvez ela já esteja por aí, crescendo, estudando, observando o mundo. Talvez seja qualquer uma de nós. E quando ela finalmente surgir, saberemos que o futuro que Lisa simboliza não foi apenas uma piada profética: foi uma promessa.

 

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