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Ciência

Uma bactéria comum está relacionada a centenas de milhares de casos de câncer no mundo

Um novo estudo global revela que milhões de diagnósticos de câncer compartilham uma origem surpreendente e, em muitos casos, existem ferramentas capazes de reduzir significativamente esse risco.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando se fala em prevenção do câncer, tabagismo, álcool, alimentação e exposição solar aparecem rapidamente na lista de fatores conhecidos. Mas uma nova análise internacional chama atenção para outra origem que responde por milhões de diagnósticos todos os anos. Vírus, bactérias e parasitas estão envolvidos em uma parcela significativa dos tumores registrados no planeta, e o dado mais importante é que muitas dessas infecções podem ser prevenidas ou tratadas.

Milhões de tumores começam com uma infecção

A dimensão do problema aparece nos números. Em 2024, aproximadamente 2,3 milhões de novos casos de câncer foram atribuídos a agentes infecciosos, o equivalente a cerca de 12% dos diagnósticos registrados mundialmente naquele ano.

Em outras palavras, aproximadamente um em cada oito novos casos esteve relacionado a vírus, bactérias ou parasitas, segundo uma análise da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O dado ganha ainda mais importância quando colocado diante do cenário global. As estimativas mais recentes apontam 20,6 milhões de novos diagnósticos de câncer em 2024 e cerca de 9,8 milhões de mortes provocadas pela doença.

Isso não significa que contrair uma dessas infecções necessariamente levará ao desenvolvimento de um tumor. Muitas são extremamente comuns e a maioria das pessoas infectadas não desenvolverá câncer.

O problema surge porque determinados agentes infecciosos podem provocar alterações celulares, inflamações persistentes ou outros processos que, ao longo dos anos, aumentam o risco de surgimento da doença.

E entre todos eles, alguns concentram uma parcela particularmente grande dos casos.

Uma bactéria comum aparece no topo da lista

Uma bactéria comum está relacionada a centenas de milhares de casos de câncer no mundo
© Imagem gerada por IA- Gizmodo BR

A principal responsável entre as infecções analisadas é a Helicobacter pylori, bactéria capaz de colonizar o estômago e conhecida por sua relação com gastrites e úlceras.

Em 2024, ela esteve associada a aproximadamente 760 mil novos casos de câncer no mundo, cerca de 4% de todos os diagnósticos. Entre as doenças relacionadas estão diferentes formas de câncer gástrico e um tipo específico de linfoma.

Logo atrás aparece o papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV ou VPH. A infecção está fortemente associada ao câncer do colo do útero, além de outros tumores.

Outros agentes importantes incluem os vírus das hepatites B e C e o vírus Epstein-Barr. Este último está relacionado a diferentes tipos de câncer, mas ainda não existe uma vacina aprovada contra ele.

A descoberta não transforma todos esses cânceres em doenças completamente evitáveis. Entretanto, revela um enorme espaço para prevenção.

Vacinas, programas de rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento de determinadas infecções podem interromper parte do caminho que, anos ou décadas depois, poderia resultar no aparecimento de um tumor.

O lugar onde alguém nasce ainda faz enorme diferença

A distribuição desses cânceres também revela uma profunda desigualdade.

Segundo os pesquisadores, aproximadamente 77% dos casos relacionados a infecções estão concentrados em países de renda baixa e média. Muitas das ferramentas necessárias para reduzir esse número já existem, mas não chegam igualmente a todas as populações.

A vacina contra o HPV é um exemplo particularmente claro. Ela pode reduzir significativamente o risco de câncer do colo do útero, especialmente quando administrada antes da exposição ao vírus. A vacinação combinada com programas regulares de rastreamento tornou esse tumor amplamente prevenível.

O mesmo princípio vale para a hepatite B, contra a qual também existe vacina. Já outras estratégias envolvem identificar e tratar infecções existentes antes que provoquem danos prolongados.

A OMS já havia estimado em outra análise publicada em 2026 que cerca de 37% dos novos casos de câncer estavam ligados a causas preveníveis. Nesse levantamento mais amplo, o tabaco apareceu como principal fator, seguido justamente pelas infecções.

A prevenção pode começar muito antes de aparecer um tumor

Uma bactéria comum está relacionada a centenas de milhares de casos de câncer no mundo
© Unsplash

Os pesquisadores defendem uma combinação de estratégias, incluindo ampliação da vacinação, programas de rastreamento, acesso a tratamentos, desenvolvimento de novas vacinas e melhores ferramentas diagnósticas.

Também existe espaço para avançar contra agentes para os quais ainda faltam soluções preventivas eficazes. Uma futura vacina contra o Epstein-Barr, por exemplo, poderia abrir outra frente importante na prevenção de diferentes tumores.

O estudo traz, portanto, uma mensagem que vai além de uma estatística alarmante.

Parte significativa da carga mundial de câncer começa muito antes de existir um tumor detectável. E combater determinadas infecções pode representar também uma forma de prevenção oncológica.

Em um cenário no qual o número de casos de câncer tende a crescer nas próximas décadas, impedir que uma infecção aparentemente distante da oncologia se transforme em um fator de risco anos depois pode ser uma das ferramentas mais importantes disponíveis para reduzir essa carga.

[Fonte: Yahoo!]

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