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Ciência

Vacina contra HPV pode proteger contra muito mais do que o câncer do colo do útero

Estudo com mais de 1,4 milhão de pessoas encontrou associação entre a vacinação contra o HPV e uma redução significativa no risco de câncer de cabeça e pescoço.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A vacina contra o HPV já é uma das principais ferramentas para prevenir o câncer do colo do útero. Agora, novas evidências indicam que seus benefícios podem ser ainda maiores. Pesquisadores analisaram dados médicos de mais de 1,4 milhão de pessoas nos Estados Unidos e descobriram que indivíduos vacinados apresentaram menor risco de desenvolver cânceres de cabeça e pescoço, especialmente quando receberam a vacina ainda jovens.

HPV pode provocar diferentes tipos de câncer

O papilomavírus humano, conhecido pela sigla HPV, é extremamente comum. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com algum tipo do vírus durante a vida.

Existem aproximadamente 200 tipos conhecidos de HPV.

Muitos não provocam sintomas ou doenças. Outros podem causar verrugas, incluindo verrugas genitais. Entretanto, determinados tipos considerados de alto risco conseguem permanecer no organismo durante anos e aumentar a probabilidade de desenvolvimento de câncer.

As vacinas contra o HPV foram desenvolvidas justamente para impedir infecções provocadas pelos tipos de maior risco. Algumas versões também oferecem proteção contra variantes responsáveis por verrugas.

Essas infecções estão relacionadas à grande maioria dos casos de câncer do colo do útero. Campanhas de vacinação combinadas com programas de rastreamento já conseguiram reduzir significativamente a incidência da doença em diferentes países.

Mas o colo do útero está longe de ser a única região ameaçada pelo vírus.

Vírus também está relacionado a câncer de cabeça e pescoço

O HPV também pode provocar diferentes cânceres que afetam homens e mulheres, incluindo tumores encontrados na região da cabeça e do pescoço.

Para descobrir se a vacinação poderia reduzir esses casos, pesquisadores de Taiwan analisaram uma grande base de registros médicos de pacientes dos Estados Unidos.

A equipe comparou aproximadamente 700 mil pessoas vacinadas contra o HPV com outro grupo de tamanho semelhante formado por indivíduos que haviam recebido outras vacinas, mas não a imunização contra o papilomavírus.

Os participantes foram acompanhados por períodos que chegaram a 13 anos.

Ao final da análise, os pesquisadores encontraram uma diferença expressiva entre os dois grupos.

Foram 40 casos entre vacinados contra 130 no outro grupo

Entre as aproximadamente 700 mil pessoas vacinadas contra o HPV, 40 desenvolveram algum câncer de cabeça ou pescoço.

No grupo que não havia recebido a vacina contra o vírus, foram registrados 130 casos.

A diferença foi particularmente evidente nos cânceres de orofaringe. Essa região corresponde à parte intermediária da garganta, localizada atrás da boca.

Os pesquisadores então analisaram os dados considerando a idade em que cada pessoa havia recebido a primeira dose da vacina.

Foi aí que surgiu outro resultado importante.

Vacinação entre 9 e 26 anos foi associada a risco 68% menor

A redução estatisticamente significativa apareceu principalmente entre pessoas que receberam a primeira vacinação contra o HPV entre os 9 e 26 anos.

Nesse grupo, os indivíduos vacinados apresentaram um risco aproximadamente 68% menor de desenvolver câncer de cabeça ou pescoço.

Existe uma explicação provável para essa diferença.

A vacina funciona melhor quando administrada antes do contato com os tipos de HPV que ela pretende prevenir. Pessoas mais velhas apresentam maior probabilidade de já terem sido expostas ao vírus antes da vacinação.

Os pesquisadores chegaram a observar uma possível redução do risco entre pessoas vacinadas em idades mais avançadas. No entanto, os resultados não foram estatisticamente conclusivos nesse grupo.

Estudo ainda não consegue provar causa e efeito

Apesar dos resultados promissores, existem limitações importantes.

Por se tratar de um estudo observacional, os dados mostram uma associação entre a vacinação contra o HPV e a redução dos casos de câncer de cabeça e pescoço. Eles não conseguem demonstrar isoladamente uma relação definitiva de causa e efeito.

Existe ainda outro desafio: os cânceres associados ao HPV podem demorar anos ou até décadas para aparecer após a infecção.

Isso significa que será necessário acompanhar populações vacinadas durante períodos ainda maiores para compreender toda a proteção proporcionada pela imunização.

Mesmo assim, outros estudos já encontraram associações semelhantes entre a vacina e uma menor incidência de cânceres relacionados ao HPV além do câncer cervical, incluindo tumores penianos em homens.

Cobertura vacinal ainda está abaixo do esperado

A vacina contra o HPV atualmente é recomendada em diversos países para meninos e meninas, preferencialmente antes do início da vida sexual.

Nos Estados Unidos, porém, a cobertura permanece abaixo da registrada em outros países desenvolvidos.

Em 2024, aproximadamente 63% dos adolescentes americanos estavam com a vacinação contra o HPV em dia. Países como Dinamarca e Espanha, por outro lado, caminham para atingir aproximadamente 90% de cobertura até o final da década.

Os novos resultados reforçam que ampliar a vacinação pode trazer benefícios que vão muito além da prevenção do câncer do colo do útero.

À medida que as primeiras gerações amplamente vacinadas envelhecem, os cientistas poderão descobrir com maior precisão quantos tipos de câncer podem ser evitados por uma vacina criada para impedir uma das infecções virais mais comuns do planeta.

 

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