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Tecnologia

Uma ideia simples pode transformar milhares de quilômetros de ferrovias em usinas solares

Uma tecnologia que aproveita uma infraestrutura presente em milhares de quilômetros surpreendeu pelos primeiros resultados. Agora, outro país europeu quer testar a solução e avaliar seu potencial em larga escala.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Encontrar espaço para instalar novos parques solares é um dos desafios da transição energética. Enquanto isso, uma empresa europeia decidiu olhar para uma infraestrutura já existente, utilizada diariamente e espalhada por milhares de quilômetros. A ideia parecia ousada, mas um projeto piloto mostrou resultados acima do esperado. Agora, a iniciativa começa a chamar atenção de outros países e pode inaugurar uma nova forma de produzir energia limpa sem ocupar áreas adicionais.

Um projeto ferroviário mostrou que trilhos podem produzir muito mais do que transporte

Nos últimos anos, a busca por novas formas de ampliar a geração de energia renovável levou pesquisadores e empresas a explorar locais pouco convencionais. Foi nesse cenário que surgiu uma proposta inovadora: instalar painéis solares diretamente entre os trilhos das ferrovias, aproveitando um espaço já construído e utilizado diariamente.

A iniciativa nasceu na Suíça, onde a empresa Sun-Ways desenvolveu um sistema capaz de integrar módulos fotovoltaicos às linhas ferroviárias sem comprometer a circulação dos trens.

O primeiro projeto foi implantado em um trecho experimental de 100 metros na cidade de Buttes, localizada na região de Val-de-Travers. No local foram instalados 48 painéis solares, capazes de gerar uma potência de aproximadamente 18 quilowatts-pico.

Inicialmente, a proposta previa um período de testes de três anos para avaliar desempenho, durabilidade e segurança. No entanto, os resultados obtidos durante os primeiros doze meses surpreenderam os responsáveis pelo projeto.

Nesse período, a instalação gerou cerca de 16 mil quilowatts-hora de eletricidade, volume suficiente para abastecer, aproximadamente, uma residência totalmente eletrificada durante um ano inteiro.

O desempenho fez com que os desenvolvedores passassem a considerar a manutenção permanente da estrutura e acelerassem os estudos para expandir a tecnologia para outras regiões.

Outro país europeu já estuda adotar a tecnologia em sua malha ferroviária

O sucesso inicial do projeto suíço rapidamente despertou interesse fora do país.

A Itália negocia a implantação de seu próprio projeto piloto, tornando-se potencialmente o segundo país europeu a testar essa solução em sua rede ferroviária.

Para isso, a Sun-Ways firmou parceria com uma empresa italiana, que já mantém conversas com a administradora da infraestrutura ferroviária nacional para avaliar a viabilidade técnica da instalação.

O grande diferencial da proposta é utilizar um espaço que já existe, evitando a necessidade de ocupar novos terrenos para a construção de grandes usinas solares.

Caso a tecnologia seja aplicada em larga escala, as ferrovias poderão desempenhar duas funções simultaneamente: transportar passageiros e cargas enquanto produzem eletricidade limpa ao longo de milhares de quilômetros.

As estimativas apresentadas pela empresa mostram o potencial da ideia. Se os painéis fossem instalados em toda a malha ferroviária suíça, que possui mais de 5.300 quilômetros de trilhos, a área coberta equivaleria a cerca de 760 campos de futebol e poderia gerar aproximadamente um terawatt-hora de energia por ano, quantidade suficiente para atender cerca de 2% do consumo anual de eletricidade do país.

Como funciona o sistema e quais desafios ainda precisam ser superados

Diferentemente das usinas solares convencionais, os módulos instalados sobre os trilhos permanecem completamente planos. Essa configuração é necessária para garantir a passagem segura dos trens, embora reduza ligeiramente a eficiência na captação da luz solar.

Segundo os desenvolvedores, essa perda gira em torno de 10%, um percentual considerado pequeno diante da enorme área disponível nas ferrovias existentes.

Atualmente, toda a eletricidade produzida pelo projeto experimental é enviada para a rede elétrica convencional. No futuro, porém, a intenção é utilizar essa energia diretamente na alimentação das subestações ferroviárias e até dos próprios sistemas de tração elétrica dos trens.

Antes disso, alguns desafios técnicos ainda precisam ser vencidos.

Entre as principais preocupações estão a resistência dos painéis às constantes vibrações provocadas pela passagem das composições, a possibilidade de surgimento de microfissuras, riscos de incêndio e reflexos que possam comprometer a visibilidade dos maquinistas.

Para reduzir esses riscos, foram desenvolvidos módulos reforçados, revestimentos antirreflexo e sistemas de monitoramento capazes de detectar falhas em tempo real.

Outro ponto importante é a manutenção. Para impedir que poeira, folhas ou resíduos reduzam a eficiência dos painéis, o sistema utiliza escovas instaladas na parte inferior dos próprios trens, realizando uma limpeza automática durante a circulação, sem interromper a operação ferroviária.

Embora ainda sejam necessários novos testes antes de uma adoção em grande escala, o interesse crescente de outros países mostra que transformar trilhos em geradores de energia pode deixar de ser apenas uma ideia inovadora para se tornar uma alternativa real na expansão das fontes renováveis.

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