Taylor Swift e Travis Kelce finalmente oficializaram o relacionamento em uma cerimônia reservada realizada na semana passada. Segundo relatos da imprensa americana, os convidados precisaram entregar os celulares, assinar acordos de confidencialidade (NDAs) e passar por inspeções para detectar dispositivos de gravação escondidos.
As medidas foram pensadas para manter o casamento longe dos holofotes. O problema, porém, é que o local escolhido para a celebração foi justamente um dos ambientes mais monitorados dos Estados Unidos: o Madison Square Garden, em Nova York.
Nos últimos anos, a arena acumulou uma série de denúncias envolvendo reconhecimento facial, monitoramento de visitantes e até criação de perfis detalhados sobre pessoas que frequentam o espaço.
Madison Square Garden já foi alvo de polêmicas por vigilância
As primeiras informações sobre o sistema de monitoramento da arena surgiram em 2018, quando reportagens revelaram que o local utilizava tecnologia de reconhecimento facial para analisar praticamente todas as pessoas que entravam no edifício.
Anos depois, novas investigações indicaram que o sistema teria sido usado para identificar advogados envolvidos em processos contra a MSG Entertainment, empresa controlada por James Dolan, proprietário da arena. Segundo as denúncias, esses profissionais chegaram a ser impedidos de entrar no local.
Em outra polêmica, críticos de Dolan também teriam sido barrados em eventos realizados no Madison Square Garden.
Reportagens apontam monitoramento detalhado de visitantes
Em abril deste ano, uma investigação publicada pela Wired trouxe novos detalhes sobre a estrutura de vigilância utilizada na arena.
Segundo a reportagem, o sistema seria capaz de acompanhar os deslocamentos de visitantes praticamente em tempo real, registrando seus movimentos ao longo de toda a permanência no local.
O veículo afirmou ainda que uma mulher trans foi monitorada detalhadamente, apesar de não representar qualquer ameaça à segurança do evento.
Banco de dados incluía categorias sobre visitantes
Outra reportagem da Wired revelou que a MSG Entertainment mantinha um banco de dados com informações sobre diversos frequentadores da arena, incluindo celebridades.
De acordo com a investigação, alguns perfis recebiam classificações específicas. Entre elas estava um marcador relacionado à comunidade LGBTQIA+, aplicado a dezenas de pessoas, incluindo artistas como Ricky Martin, Phoebe Bridgers e Emily Green, da banda Geese.
Os documentos também indicavam uma classificação de risco atribuída aos visitantes, embora os critérios utilizados para definir essas categorias nunca tenham sido explicados pela empresa.
Perfis de risco também chamaram atenção
Segundo a investigação, fãs conhecidos do New York Knicks, como os atores Edie Falco e Ben Stiller, apareciam classificados como “baixo risco”.
Já músicos como Freddie Gibbs, Lil Jon e DaBaby figuravam na categoria de “alto risco”.
As reportagens não detalham como essas classificações eram determinadas, mas levantam questionamentos sobre possíveis vieses na forma como os visitantes eram avaliados.
Casamento permaneceu em sigilo, mas debate continua
Ao que tudo indica, Taylor Swift e Travis Kelce conseguiram impedir que fotos e vídeos da cerimônia fossem divulgados pelo público presente graças às rígidas regras impostas aos convidados.
Ainda assim, a escolha do Madison Square Garden reacendeu as discussões sobre privacidade em locais que utilizam sistemas avançados de vigilância.
Embora não exista qualquer indicação de que os convidados do casamento tenham sido monitorados de maneira diferente do habitual, o histórico de controvérsias envolvendo a arena faz com que o episódio chame atenção para um tema cada vez mais presente: até que ponto tecnologias de reconhecimento facial e bancos de dados sobre visitantes devem ser utilizadas em espaços privados abertos ao público?